Suspeito de manipulação, Bruno Henrique presta depoimento ao STJD

Imagem de Bruno Henrique, atacante do Flamengo suspeito de manipulação, que prestou depoimento ao STJD
Crédito: Shutterstock

Bruno Henrique, atacante do Flamengo, prestou depoimento na tarde desta quinta-feira, 29, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

A audiência havia sido, originalmente, agendada para a última segunda-feira, mas o atleta solicitou a remarcação, pois o horário coincidia com o treinamento do Flamengo no Ninho do Urubu. 

De folga após a vitória por 1 a 0 sobre o Deportivo Táchira, Bruno Henrique compareceu à audiência de forma virtual, e agora aguarda os próximos passos do processo. O STJD abriu inquérito para apurar as provas e está trabalhando em um relatório sobre o caso. Em breve, o órgão decidirá se apresentará denúncia ou arquivará o caso. Como não foi solicitada a suspensão preventiva, o atleta pode seguir atuando normalmente pelo Flamengo.

Entenda o caso

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o atacante forçou um cartão amarelo no duelo contra o Santos, realizado no Campeonato Brasileiro de 2023. Na ocasião, Bruno Henrique recebeu um cartão amarelo e acabou expulso no fim da partida. A PF avalia que a ação teria sido feita para favorecer financeiramente parentes e amigos no mercado de apostas esportivas.

A investigação começou por conta de relatórios realizados pela International Betting Integrity Association (IBIA) e Sportradar, entidades que fazem análise de risco. De acordo com os relatórios, o jogo teve um volume acima do normal de apostas em cima de um cartão amarelo para Bruno Henrique.

As apostas foram realizadas em três empresas diferentes e, segundo a investigação, foram realizadas por amigos e parentes do jogador.

Relembre o jogo

A partida investigada pela PF era válida pela 31ª rodada do Brasileirão de 2023. O Flamengo, jogando em Brasília, recebia o Santos. Aos 50 minutos da etapa final, Bruno Henrique recebeu um cartão amarelo após cometer falta em cima de Soteldo. Ele recebeu o cartão amarelo e, imediatamente, reclamou de maneira ríspida como o árbitro Rafael Klein, que o puniu com outro cartão amarelo e, consequentemente, a expulsão. O Flamengo acabou derrotado por 2 a 1 na ocasião.

Familiares envolvidos na manipulação

A polícia separou os envolvidos na manipulação em dois núcleos, sendo o primeiro composto por três familiares de Bruno Henrique: Wander Nunes Pinto Júnior (irmão), Ludymilla Araújo Lima (cunhada) e Poliana Ester Nunes Cardoso (prima).

O segundo núcleo é formado por Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Rafaela Cristina Elias Bassan, Henrique Mosquete do Nascimento, Andryl Sales Nascimento dos Reis, Max Evangelista Amorim e Douglas Ribeiro Pina Barcelos. Esses, de acordo com a investigação, são amigos de Wander.

Bruno Henrique e seu irmão foram indiciados no artigo 200 da Seção 1 da Lei Geral do Esporte. A seção versa sobre crimes contra a integridade e a paz no esporte, e o artigo fala sobre a tentativa de “Fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado. A pena prevista para condenações nesses casos é de dois a seis anos de reclusão. Os dois também foram indiciados por estelionato, que tem pena prevista de um a cinco anos de cadeia. Os outros oito envolvidos foram indiciados por estelionato.