Better Collective está “pronta para retornar” após superar obstáculos em 2024

Better Collective está “pronta para retornar” após superar obstáculos em 2024

A Better Collective fez um balanço de um “jogo difícil” em 2024, citando obstáculos inesperados que conseguiu superar para alcançar um crescimento de receita de 14% no fechamento do ano, como reportado pelo SBC News, site-irmão do SBC Notícias Brasil.

O grupo de mídia digital focado em apostas esportivas registrou uma receita de € 371,5 milhões em 2024 (2023: € 326,7 milhões), embora o EBITDA tenha caído ligeiramente 6%, passando de € 109,1 milhões para € 102,5 milhões. A receita operacional também sofreu um impacto, caindo 24%, de € 80,9 milhões para € 61,5 milhões.

A liderança do grupo destacou que o último ano foi desafiador — mas também reforçou que o grupo, com sede na Dinamarca e listado na Nasdaq de Estocolmo, demonstrou grande resiliência em 2024.

“Apesar dos desafios de curto prazo, as perspectivas de longo prazo para a Better Collective continuam fortes”, afirmou um comunicado assinado pelo CEO Jesper Søgaard e pelo presidente do conselho, Jens Bager.

“Estamos confiantes em nossa capacidade de continuar liderando as indústrias de mídia esportiva e de apostas por meio da inovação, de investimentos estratégicos e da excelência operacional.”

Quando o Brasil entra em campo…

Aquisições têm sido uma prioridade para a Better Collective nos últimos anos, com destaque para a compra da Playmaker Capital em novembro de 2023. A integração dessa empresa de mídia voltada para a América do Sul foi uma das principais atividades da companhia em 2024.

A Better Collective revelou que a Playmaker teve um desempenho abaixo do esperado no ano passado, o que acabou resultando em um benefício: o preço final da aquisição foi ajustado de US$ 54 milhões para US$ 23 milhões devido a esse desempenho.

“Todas as expectativas futuras para a marca permanecem intactas, apenas adiadas em cerca de um ano”, assegurou a liderança da empresa. O conselho também expressou confiança de que, apesar dos “desafios comerciais iniciais”, a Playmaker tornou-se uma “parte essencial” da estratégia de mídia da companhia.

A contribuição da Playmaker na criação de conteúdo esportivo em redes sociais e podcasts foi considerada especialmente valiosa. O fato de que o mercado brasileiro ainda aguardava a regulamentação das apostas em 2024 pode ter contribuído para o desempenho aquém do esperado.

Com o mercado oficialmente lançado em 1º de janeiro de 2025, a Better Collective espera começar a ver uma contribuição mais significativa da Playmaker à medida que mais consumidores brasileiros passem a interagir com conteúdo esportivo ligado a apostas.

A Better Collective observou que o período de transição do mercado — do “cinza” para o regulamentado — causou uma desaceleração temporária no crescimento. Agora, a liderança da empresa planeja uma “reformulação dos negócios no Brasil”, esperando que a receita recorrente com participação nos lucros continue em expansão.

Considerações globais

O Brasil esteve no centro das atenções da indústria ao longo de 2024, e não apenas para a Better Collective — basta frequentar conferências do setor ou acompanhar o SBC Notícias Brasil para perceber que o país é pauta constante.

No caso da Better Collective, a empresa afirma que o Brasil já era um motor de crescimento mesmo antes da regulamentação do mercado sob o novo marco legal das apostas. A atuação da empresa no país gerou mais de €70 milhões apenas em 2024.

Contudo, o Brasil não foi o único mercado a atrair os olhares da companhia no ano passado. O Reino Unido — um dos maiores e mais competitivos mercados da Europa — também esteve em foco.

No segundo trimestre, a empresa adquiriu a AceOdds, um grupo afiliado de apostas esportivas britânico, por €42 milhões, prevendo um crescimento quadruplicado do EBITDA nos próximos 12 meses. Ao contrário da Playmaker, a AceOdds superou as expectativas da Better Collective.

A companhia, inclusive, elevou as metas financeiras para seu novo ativo britânico, projetando uma receita de €395–425 milhões (anteriormente €390–420 milhões), o que representa um crescimento entre 21% e 30%. As projeções de EBITDA também foram aumentadas para um crescimento entre 17% e 26%, totalizando €130–140 milhões (antes, €125–135 milhões).

Impactos da política do Google

Uma mudança externa que afetou significativamente o desempenho do grupo foi a nova política do Google sobre conteúdo de terceiros. Segundo a Better Collective, essa alteração teve impacto negativo em “uma parceria de mídia específica” na América do Norte. Em contrapartida, o portfólio europeu e de outras regiões da empresa foi positivamente impactado pela mudança.