Datafolha revela perfil dos apostadores e hábitos de consumo no Brasil

Uma mão segurando um celular mostrando um site de apostas esportivas na tela
Crédito: Shutterstock

O Datafolha, instituto de pesquisa de opinião pública do Grupo Folha, realizou uma pesquisa sobre o mercado brasileiro de apostas online. Os resultados mostram que a grande maioria dos brasileiros (93%) não engaja com apostas, enquanto 7% dos entrevistados afirmaram acessar essas plataformas. Segundo o instituto, esse percentual é o mesmo registrado em novembro de 2024.

O levantamento foi realizado nos dias 20 e 21 de maio deste ano, com 2.004 eleitores com 18 anos ou mais em 139 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre as apostas. Para 57% dos entrevistados, a atividade representa um vício, alta de três pontos percentuais em relação a 2024, quando o índice era de 54%. Essa percepção é mais frequente entre as mulheres (61%), os jovens (64%) e as pessoas com maior nível de escolaridade (60%). Faz sentido, já que homens costumam apostar mais que mulheres, segundo diversas pesquisas.

Apenas 2% consideram as apostas fonte de renda ou investimento, enquanto 6% as enxergam exclusivamente como forma de entretenimento.

Endividamento e apostas

Cofre de porquinho virado de cabeça para baixo. Crédito: Shutterstock.

Em relação ao endividamento, tema amplamente discutido no país nos últimos meses, 6% dos entrevistados afirmaram continuar apostando mesmo com as contas negativadas. O Datafolha destacou que o índice observado na pesquisa é próximo ao registrado no total da população.

Além disso, entre os entrevistados que apostam atualmente ou já apostaram, 35% afirmaram comprometer ou já ter comprometido suas finanças para jogar. O percentual representa uma queda em relação a novembro de 2024, quando 44% dos entrevistados deram essa resposta.

O Datafolha também investigou o uso de valores destinados à poupança para apostas. No novo levantamento, 19% dos entrevistados disseram ter utilizado esse dinheiro, contra 22% em 2024.

O percentual de pessoas que deixaram de comprar algo para apostar também caiu, de 19% em 2024 para 11% em 2026. A mesma tendência foi observada entre os entrevistados que utilizaram cartões de crédito para realizar apostas, cujo índice recuou de 15% para 10%.

Opinião do SBC Notícias Brasil

Apesar da queda, o percentual chama a atenção diante da regulamentação vigente. Desde a entrada em vigor do mercado regulado, operadores licenciados no Brasil estão proibidos de aceitar cartões de crédito como forma de pagamento para apostas. Assim, o uso desse meio de pagamento pode indicar que parte dos apostadores continua acessando plataformas ilegais, que não seguem as exigências da legislação brasileira. 

O dado também indica que o combate ao mercado ilegal ainda representa um desafio. Com o avanço da fiscalização e a redução da atuação de plataformas clandestinas, a tendência é que esse percentual diminua ainda mais.

Outros indicadores levantados pelo Datafolha também registraram queda em relação a 2024:

  • 8% dos entrevistados afirmaram ter pedido dinheiro emprestado para apostar, contra 15% no levantamento anterior;
  • 6% disseram ter deixado de pagar contas para apostar, contra 13% em 2024;
  • 2% relataram ter vendido alguma coisa para apostar, contra 5% em 2024. O levantamento não especifica quais itens foram comercializados.

O percentual de entrevistados inadimplentes, por sua vez, permaneceu em 5% nos dois levantamentos.

O Datafolha destacou, no entanto, que esses dados se referem a um grupo menor de entrevistados. Por esse motivo, a margem de erro é de seis pontos percentuais, razão pela qual as variações registradas são consideradas estáveis.

Comportamento dos apostadores brasileiros, segundo Datafolha

O Datafolha também analisou as modalidades de apostas separadamente. Em relação às apostas esportivas, 94% dos entrevistados afirmaram não praticar essa modalidade atualmente. 

Entre os que continuam apostando (6%), o percentual é maior entre homens (9%, contra 2% entre as mulheres) e entre pessoas de 18 a 24 anos (11%, contra 1% entre aquelas com 60 anos ou mais). O instituto também observou que a prática é mais frequente entre quem também costuma apostar em jogos de cassino online.

Do grupo de apostadores, 21% afirmaram jogar todos os dias, representando um aumento de oito pontos percentuais em relação ao último levantamento, quando o índice era de 13%. Ainda assim, a maioria (36%) mantém frequência semanal, apostando uma vez por semana, índice semelhante ao observado em 2024, quando era de 35%.

Os demais intervalos de frequência ficaram distribuídos da seguinte forma:

  • 13% apostam a cada 15 dias, contra 21% no levantamento anterior;
  • 19% apostam uma vez por mês, frente a 17% em 2024;
  • 11% apostam com frequência inferior a uma vez por semana, contra 14% no levantamento anterior.

Nota da redatora

Os resultados sugerem mudança no comportamento dos apostadores brasileiros. Enquanto cresceu a parcela dos que afirmam apostar diariamente, houve redução entre aqueles que apostam quinzenalmente e com menor frequência, indicando uma concentração maior da atividade entre usuários mais ativos.

Média de gastos com apostas esportivas

No geral, o valor médio gasto com apostas pelos usuários é de R$ 241, destacou o Datafolha. Entre dezembro de 2023 e novembro de 2024, o valor caiu de R$ 268 para R$ 216. 

No período de um mês, a maior parcela dos jogadores (28%) afirmou gastar mais de R$ 100 com apostas. Em seguida, 27% disseram desembolsar até R$ 30 mensais, 24% entre R$ 31 e R$ 50 e 19% entre R$ 51 e R$ 100. Outros 2% afirmaram não saber quanto gastam por mês com apostas.

Nota da redatora

Os dados indicam que os gastos dos apostadores estão distribuídos entre diferentes faixas de valor, sem grande concentração em um único patamar. Ainda que a maioria dos usuários desembolse mais de R$ 100 por mês, a diferença em relação às demais categorias é pequena.

Além disso, embora represente uma parcela pequena da amostra, o fato de 2% dos entrevistados não conseguirem estimar quanto gastam com apostas pode indicar dificuldades no acompanhamento das próprias despesas. A ausência de controle sobre os gastos é um fator que pode contribuir para o comprometimento do orçamento familiar.

Panorama dos cassinos online

Representação de um cassino online. Crédito: Shutterstock.

O Datafolha também analisou o comportamento dos entrevistados em relação aos cassinos online. Segundo a pesquisa, 4% afirmaram jogar atualmente, enquanto 96% disseram não utilizar essa modalidade. A diferença entre homens (4%) e mulheres (3%) foi pequena.

A frequência de acesso às plataformas de cassino online ficou distribuída da seguinte forma:

  • 30% afirmaram jogar uma vez por semana, contra 26% em 2024;
  • 23% acessam as plataformas diariamente, mesmo percentual em relação ao levantamento anterior;
  • 20% disseram jogar a cada 15 dias, mantendo o mesmo índice de 2024;
  • 14% apostam uma vez por mês, contra 21% no levantamento anterior;
  • 13% afirmaram jogar menos de uma vez por mês, ante 10% em 2024.

Nessa categoria, o Datafolha destacou que a margem de erro é de 12 pontos percentuais, em razão do menor número de entrevistados. Por isso, as variações observadas em relação ao levantamento anterior são consideradas estatisticamente estáveis pelo instituto. 

Média de gastos com cassinos online

A média de gastos indicada pela pesquisa para cassinos online é de R$ 232 por mês. Em 2024, esse valor era de R$ 354.

No período de 30 dias, a maior parcela dos jogadores (29%) declarou gastar até R$ 30 em sites de cassino online. Outros 28% afirmaram desembolsar entre R$ 101 e R$ 500 por mês, enquanto 18% gastam entre R$ 51 e R$ 100. Além disso, 13% disseram apostar entre R$ 31 e R$ 50 mensais e 10% relataram despesas superiores a R$ 500. Outros 2% afirmaram não saber quanto gastam com essa modalidade.

Nota da redatora

Os resultados indicam uma distribuição heterogênea dos gastos entre os usuários de cassinos online, com concentração tanto em faixas de baixo desembolso quanto entre aqueles que destinam valores mais elevados às apostas. A redução da média mensal em relação a 2024, por sua vez, sugere um recuo no valor gasto por jogador.


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