Alexandre Fonseca, Betano: a entrada dos operadores de apostas esportivas no mercado brasileiro não poderia ter acontecido em melhor momento

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A popularidade das apostas esportivas continua a crescer em todo o mundo, e as empresas buscam impulsionar suas presenças por meio de acordos de patrocínio que podem levar a um melhor nível de exposição. Por isso, um dos principais alvos dos operadores é o segmento de esportes, área em que a Betano acaba de acertar em cheio há alguns meses ao se tornar a primeira parceira do mercado a fechar um contrato de parceria com a Copa do Mundo da FIFA.

Embora o acordo fosse dirigido ao mercado europeu, a marca Kaizen Gaming alargou sua relação com o órgão internacional de futebol e assinou um acordo semelhante, mas com o Mundial de Clubes. Desta vez, com um enfoque mais global, que incluiu a América Latina.

A Betano já consolidou sua marca como uma das mais reconhecidas internacionalmente – mais especificamente no Brasil, onde patrocina os clubes Fluminense e Atlético Mineiro e detém os naming rights da Copa do Brasil e da Supercopa do Brasil, entre outros contratos em diferentes empresas e áreas, como e-Sports.

Com mais de 214 milhões de habitantes, o gigante sul-americano é um dos mercados com maior potencial para a indústria global de jogos, e, após anos de reviravoltas, o poder político finalmente decidiu avançar com a regulamentação do setor em 2023. Segundo as previsões do governo, as apostas esportivas online podem render entre R$ 2 bilhões e 6 bilhões aos cofres públicos, impossibilitando que os legisladores continuem ignorando a aprovação de um marco legal adequado.

Com este cenário promissor para a indústria de jogos, a visibilidade e a construção de confiança com os jogadores locais são fundamentais para aproveitar a onda de apostas esportivas no mercado local. A SBC Leaders Magazine conversou com o Country Manager da Betano no Brasil, Alexandre Fonseca, e discutiu os últimos desenvolvimentos da empresa e a opinião do executivo sobre o estado atual do cenário brasileiro de jogos.

SBC: Como surgiu o acordo para se tornar o primeiro parceiro de apostas da Copa do Mundo? E o recente acordo com a Copa do Mundo de Clubes?

Alexandre Fonseca: A Kaizen Gaming, empresa-mãe da Betano, celebrou recentemente 10 anos desde a sua constituição. Ao longo destes 10 anos, os patrocínios têm sido um pilar fundamental da nossa estratégia e da nossa contribuição para o esporte. Já temos alguns dos maiores clubes de futebol da Europa e da América do Sul em nossa lista, incluindo «Os Três Grandes» em Portugal, ou seja, Porto, Benfica e Sporting, bem como Atlético Mineiro e Fluminense no Brasil, entre outros. O nosso lema é a melhoria contínua e depois de termos patrocinado muitas equipas de sucesso, partir para o patrocínio de um grande torneio como o Mundial sempre foi o próximo passo e dentro dos nossos objetivos. Estamos muito felizes por termos sido os primeiros em nosso setor a fechar uma parceria com a FIFA, e a Copa do Mundo de Clubes foi mais uma prova do nosso compromisso com o futebol e o esporte em geral.

SBC: Qual a importância de ter uma equipe de jogo responsável para pontuar esse tipo de negócio? É um requisito, é apenas um valor agregado ou é algo que é trabalhado ao longo do tempo?

AF: O jogo responsável é um princípio fundamental para nós. Na Kaizen Gaming, acreditamos que as apostas só podem ser divertidas se forem saudáveis e, por isso, continuamos a investir em novas tecnologias que visam proteger a saúde e os dados dos nossos jogadores contra qualquer tipo de vulnerabilidade ou fraude.

SBC: Patrocínios de apostas tomaram conta da Série A do Brasileirão, e alguns dos últimos acordos foram os maiores da história de muitos clubes. Qual a importância desses grandes negócios para o desenvolvimento do futebol brasileiro?

AF: A entrada dos operadores de apostas esportivas no mercado brasileiro, que gerou essa onda de grandes patrocínios, não poderia ter ocorrido em melhor momento. Acredito que todos estão se beneficiando com isso – as marcas que estão associadas aos grandes clubes e se engajando com seus torcedores, os clubes que estão recebendo mais recursos para serem investidos em estrutura e jogadores e também os torcedores que podem se beneficiar das múltiplas ativações e promoções feitas pelas marcas patrocinadoras.

SBC: Qual foi o papel dos patrocínios de operadores de apostas esportivas no crescimento do domínio brasileiro no futebol da América do Sul nos últimos anos? O que significa a melhoria do desempenho de um clube para um operador que possui sua marca estampada no uniforme das equipes?

AF: Acho que sim, principalmente nos clubes «menores», que agora estão tendo um volume de investimento mais alto do que nunca. Com a contribuição da indústria de apostas, podemos esperar uma melhoria geral na qualidade do futebol no Brasil e na América Latina.

SBC: Que valor esses patrocínios trazem para as empresas de apostas esportivas no Brasil enquanto aguarda-se a regulamentação do segmento? A exposição leva à adoção e, portanto, a uma maior necessidade de estabelecimento de um marco regulatório adequado?

AF: Depende do operador. Alguns operadores, como nós, têm os patrocínios no centro de sua estratégia – e achamos que isso ajuda a fortalecer nossos laços com o mercado local e, claro, com os fãs, por meio de ativações e promoções -, enquanto outros estão mais interessados em mídia e credibilidade associada a contratos multimilionários. 

SBC: Os operadores de apostas esportivas estão em contato com os legisladores brasileiros para compartilhar suas opiniões sobre as propostas de regulamentação do setor?

AF: Desde 2018, quando a lei foi lançada, vimos muitas iniciativas de diferentes operadores na tentativa de estabelecer um canal de comunicação com o governo. Agora, com o governo Lula e com um mercado mais maduro, acreditamos que chegou a hora e estamos confiantes de que o setor será convidado a discutir as melhores práticas e sobre como criar um mercado regulado sustentável no Brasil.

SBC: Alguma coisa mudou nas suas expectativas para a regulamentação do setor com a mudança de presidente? Quais são as suas perspectivas para a indústria de jogos durante o mandato de Lula?

AF: Sim, sentimos que o atual governo está mais disposto a regular o mercado, devido à adoção massiva que vimos acontecendo no Brasil – principalmente nos últimos dois anos. Acho que finalmente o governo entendeu a importância de regulamentar o segmento para proteger os players e, claro, gerar impostos que vão contribuir muito para o desenvolvimento da economia brasileira.