Pesquisa da ANJL aponta baixo peso das apostas na rejeição a Lula entre evangélicos

Foto tirada do presidente Lula enquanto ele fazia um discurso.
Crédito: Shutterstock

Uma pesquisa recente encomendada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) apontou que as apostas online têm peso insignificante na rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre evangélicos da Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo o levantamento, realizado pela Cruz Consulting, as apostas aparecem com 1% entre as causas políticas de não votação em Lula em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026.

A pesquisa foi feita entre os dias 24 e 26 de março de 2026, com 1.159 entrevistados. A margem de erro é de três pontos percentuais, para cima ou para baixo, e o nível de confiança é de 95%.

De acordo com a ANJL, o objetivo do levantamento foi investigar os motivos de rejeição ao presidente Lula junto à comunidade evangélica da Grande São Paulo, considerando o mercado de apostas como uma das hipóteses analisadas.

O resultado da pesquisa indica que o tema não é relevante o suficiente para ditar os rumos da eleição presidencial, na qual Lula tentará se reeleger para um quarto mandato ante adversários como Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (NOVO) e Ronaldo Caiado (PSD)

“Há uma leitura equivocada quando se tenta atribuir às bets um peso eleitoral que elas não têm. A pesquisa revela que esse tema aparece à margem de outras questões prioritárias para esse eleitorado. A estatística de 1% mostra que o debate está deslocado para causas políticas, econômicas e culturais”, afirmou Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL.

Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL.
Crédito: Plínio Lemos Jorge

Análise do SBC Notícias Brasil

Para muitos analistas políticos, Lula precisa angariar ao menos alguns votos evangélicos para conseguir se reeleger. Este setor, que possui sua própria bancada no Congresso Nacional, votava majoritariamente no PT até o início da década passada. Porém, o voto evangélico migrou para candidatos mais à direita, após o PT ser atingido por escândalos de corrupção nos primeiros mandatos de Lula e de Dilma Rousseff.

A pesquisa da ANJL mostra que os esforços de Lula para impôr mais restrições ao setor de apostas regulado não vão, necessariamente, servir para ganhar votos evangélicos.

Lula, o PT e seus aliados estão numa verdadeira cruzada contra as apostas nos últimos meses, tentando associar o setor ao endividamento em massa da população.

Corrupção, impostos e gastos públicos têm maior peso, segundo pesquisa da ANJL

O levantamento aponta que as causas de natureza política predominam sobre as econômicas entre os entrevistados. Os motivos políticos somam 51%, enquanto os fatores econômicos representam 41%.

Entre as causas econômicas, a carga de impostos e o volume de despesas governamentais aparecem em destaque, somando 47 pontos percentuais. No campo político, a corrupção foi apontada como o principal fator, com 34 pontos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também aparece no levantamento, citado por 9% dos entrevistados. A reputação da instituição sofreu um grande revés este ano, após vir a público que Alexandre de Moraes e José Antonio Dias Toffoli tiveram supostas relações impróprias com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, responsável pelo maior escândalo de corrupção dos últimos anos.

A pesquisa também avaliou a percepção dos evangélicos sobre o mercado de apostas. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados afirmaram não saber diferenciar apostas de jogos de azar, como o jogo do bicho.

Além disso, apenas 2% dos eleitores evangélicos da Região Metropolitana de São Paulo revelaram que fazem apostas sistematicamente. Para a ANJL, os dados reforçam que as apostas não aparecem como elemento decisivo para explicar a rejeição eleitoral ao presidente Lula nesse segmento.


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