Ontem, 9, Manoel Serapião Filho, ex-árbitro de futebol, prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas do Senado Federal.
A sessão, conduzida pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), pelo presidente da CPI, contou com a participação dos senadores Romário (PL-RJ) e Carlos Portinho (PL-RJ).
Serapião Filho disse que não acredita e não suspeita que juízes e/ou dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estejam envolvidos com possíveis manipulação de resultados em jogos.
O ex-árbitro alegou, ainda, que “será uma grande decepção” se for comprovada a participação do grupo de árbitros do Brasil, assim como dirigentes de arbitragem, em manipulação de resultados no esporte.
“Não vejo a mínima possibilidade de que haja manipulação, de que o grupo de árbitros do Brasil, tampouco os dirigentes de arbitragem que estão na CBF, que eu conheço, possam induzir ou praticar qualquer ato de desvio. Se houver, será uma grande decepção e uma grande surpresa. E, se houver, posso lhe assegurar, senador, que será com uma ou outra ovelha negra, que não vai contaminar o grupo”, lamentou Serapião Filho.
O depoente, um dos idealizadores do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR, sigla em inglês), afirmou que a qualidade do VAR no Brasil ainda não é a ideal, mas que o uso da tecnologia fornece mais segurança ao futebol. Serapião Filho também explicou o posicionamento das câmeras, alegando que, em lances difíceis para a arbitragem, o VAR é utilizado para corrigir distorções e equívocos.
Segundo Rômulo Meira Reis, ex-oficial de integridade do VAR da CBF que recebeu treinamento da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) para se preparar para analisar suspeitas de fraudes no mercado de apostas, a nova função do oficial de integridade foi criada para “verificar as possíveis irregularidades entre o que acontecia em campo versus o que acontecia no mercado de apostas esportivas”.
“Aqui no Brasil, nós conhecemos especificamente em relação à questão de casas de apostas, que são como anunciantes convencionais. Hoje o boom de anúncios é das casas de apostas, como um dia já foi das montadoras, como um dia já foi dos grandes magazines”, disse Reis.
O ex-oficial também afirmou que, entre 2017 e 2022, mais de 200 alertas de denúncias e de suspeitas de manipulação de resultados foram analisados.












