O mercado de apostas e jogos é, assim como outros mercados, um Jogos Vorazes em que peixe grande devora peixe pequeno. A rotatividade é grande. Podemos entrar no LinkedIn de um colega, mas ele já está em outra empresa. Descobrimos por posts que alguma operadora ou desenvolvedora fez uma M&A com outra corporação. Este é um mercado efêmero, mas bons aprendizados ficam, não importa aonde se vá.
Foi pensando nisso que a Donas do Jogo foi criada. Grandes mulheres da indústria, tanto brasileira quanto mundial, compartilharão seus conhecimentos e conselhos cruciais para a vida toda, não só para um período curto até o próximo trabalho chegar.
O que o SBC Notícias Brasil traz é, acima de tudo, um espaço para que o leitor relaxe no meio da rotina caótica, leia e absorva as pérolas de sabedoria de quem tem sempre alguma anedota para contar. É possível pensar nisso como um café da tarde entre colegas na copa da empresa.
Um café da tarde, inclusive, foi exatamente o que permeou boa parte destas entrevistas. Dentre os principais temas da coluna, falaremos sobre transição de carreira; como não perder sua essência no trabalho; o que significa ser um bom líder; como fazer negociações bem-sucedidas, entre outros temas que surgem naturalmente ao falar não somente sobre a indústria de apostas, mas sobre o mercado de trabalho no geral.
Para a primeira participação de uma coluna latino-americana, nada mais justo do que começar com um vizinho do impávido colosso, o Peru.
O segredo para prosperar no mercado de apostas
Quando me sentei para conversar com Celeste Arredondo, fundadora da International Gaming Women (IGW), a primeira coisa que percebi foi o quão querida ela era por pessoas ao seu redor, tanto que precisei batalhar por minutos entre abraços e sorrisos até que pudesse finalmente me aproximar dela.

Ao me sentar para uma entrevista rápida em um dia caótico de evento, Celeste disse algo claro desde o começo: a indústria de jogos é acessível, mas é necessário ser rápido para não perder o timing.
Apesar de ser formada em Engenharia de Sistema de Informação, Celeste não seguiu o caminho corporativo comum. Aos 21 anos, ela se tornou mãe. Com a nova responsabilidade, ela precisava de um emprego que pudesse ser acessível para cuidar do bebê e prover para sua família.
Um dia, ela encontrou um anúncio de emprego que dizia: para quem gosta de adrenalina e esportes. Com apenas 21 anos, ela foi contratada para construir uma equipe inteira do zero e prestar suporte ao cliente para a Apuesta Total, casa de apostas peruana.
Ela trabalhou com verificação de clientes, prevenção de “caçadores de bônus”, ou seja, pessoas que tentam burlar os sistemas de sites de apostas para ganhar dinheiro, e com a experiência do cliente no geral. Para ela, esta é a parte mais importante para qualquer pessoa que decidir entrar no mercado: o cliente sempre precisa vir em primeiro lugar.
Mas Celeste achou mesmo seu amor em construir casas de apostas do zero. Anos depois, ela foi contratada para construir mais uma operação on-line da Solbet, e em uma semana já havia criado duas equipes.
“Comecei a trabalhar na segunda-feira, e na sexta-feira já estávamos operando no Peru”, ela comentou com uma risada.
Ao perguntar como ela conseguia fazer tudo isso tão rapidamente, Celeste brincou que estava preparada para diversos cenários, que isso era o que fazia as operações darem certo.
Em uma indústria tão volátil, é necessário saber ser rápido e aprender os mecanismos para lidar com situações de imprevisibilidade. Isso foi algo que Kamilla Yazawa, diretora de Compliance da Vanguard Entreteniment, comentou durante a nossa conversa no SBC Summit Rio 2025.
“As pessoas precisam aprender a lidar com o imprevisível, porque esta é uma indústria imprevisível”, ela disse.
Uma das principais chaves para ser bem-sucedido no mercado de apostas e jogos on-line, segundo as duas, é desenvolver habilidades como flexibilidade, conhecer processos, ser capaz de trabalhar com multidisciplinaridade (não limitar seus conhecimentos a uma área específica) e entender sobre gerenciamento de crise (em nível micro e macro, interno e externo).
Aprender sobre os mercados na América Latina foi um grande divisor de águas, de acordo com Celeste, já que o mercado nunca “deixa de surpreender, mas é maravilhoso, [porque] tem seu próprio tchã [brilho], e o público é muito específico”.
A instabilidade política que cerca a história de praticamente todos os países da América Latina no século passado (em alguns casos, neste século) pode ser um grande aprendizado para aqueles que querem trabalhar na indústria, porque, ser latino-americano é também aprender a sorrir e prosperar em uma terra que nem sempre é hospitaleira para com seus próprios habitantes.
Donas do jogo: ninguém sobrevive sozinho
Para além de habilidades internas, Arredondo percebeu que também era necessário ter contato com outras pessoas com vivências diferentes. Foi assim que a IGW foi criada, como um apoio para expandir seus conhecimentos e ampliar oportunidades de negócios, especialmente quando Arredondo percebeu que as mulheres da indústria pareciam muito isoladas dos homens.
“O grupo serve para compartilharmos informações de países, da indústria, do que podemos fazer, de como podemos nos conectar”, ela disse, empolgada, e continuou: “De repente, não eram só mais as peruanas discutindo sobre problemas do Peru, havia mulheres do Chile, da Argentina, do Brasil…”.
Mas Arredondo afirmou que o grupo não foi feito unicamente por mulheres: “Há espaço para homens e mulheres na IGW, nós dividimos painéis com ambos. Nunca estarei do lado da discriminação contra homens e mulheres, todos queremos ser valorizados e apreciados”.
Ao fim da conversa, Arredondo também reconheceu o papel de empresas que apoiam iniciativas de mulheres na indústria: “A melhor parte é ver como diferentes organizações e companhias dão espaço para nós, e uma delas é a SBC, que permitiu que nos conectássemos com outras mulheres que têm muito tempo na indústria”.
A Donas do Jogo foi criada como parte da iniciativa do SBC Notícias Brasil para dar voz de igualdade para mulheres na indústria. Para sugerir pautas ou fazer uma avaliação sobre a coluna, é só contatar contatar a equipe no LinkedIn.
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