A coluna Donas do Jogo é publicada às terças-feiras, a cada duas semanas, com entrevistas realizadas com mulheres da indústria de apostas e jogos on-line sobre temas que cercam o mercado. Para conferir outras matérias, busque o nome da coluna na barra de pesquisa do SBC Notícias Brasil.
O que o mercado de apostas tem a aprender com a indústria da música? A pergunta surgiu naturalmente durante uma conversa com Bruna Rieke Calegari, chefe de Marketing de Marca, no SBC Summit Rio 2025.

Embora esteja no setor de apostas há quatro anos, Calegari carrega mais de uma década de experiência em outro universo igualmente cheio de adrenalina: o da música. Foram 11 anos dedicados à produção de eventos, incluindo festivais internacionais como o Tomorrowland.
Porém, tudo mudou em 2020. Quando os palcos ficaram vazios e o mundo fechou as portas para aglomerações, o mundo da música precisou se reinventar. Durante a pandemia, Calegari migrou para a indústria de jogos e apostas on-line e, vinda de fora, passou a observar o setor com olhos atentos ao comportamento do consumidor.
“Depois da pandemia, o entretenimento ficou condicionado ao impulsionamento nas redes sociais”, comentou, ao comparar como o cinema migrou para o streaming e os shows para lives no YouTube.
“As pessoas pararam de ir aos lugares onde elas iam antes. Elas abandonaram a necessidade de sair em grupos para conhecer outras pessoas. Na [área da] música em que eu trabalhava, foi feito um movimento do mundo físico para o on-line. E o mundo dos jogos é o contrário”, adicionou.
Apostas on-line se tornaram o novo point social
Enquanto grande parte das indústrias culturais se digitalizava e se tornava mais individual, o mercado de apostas crescia em comportamento coletivo. Segundo um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o mercado brasileiro de jogos on-line cresceu 27% entre 2020 e 2023, principalmente devido à pandemia da COVID-19, que fez com que acontecesse uma “migração do consumo de entretenimento” ao meio digital.
Nesse período, apostar deixou de ser algo estritamente individual para assumir um caráter coletivo. Calegari citou os bingos beneficentes e como grupos de idosos se juntam para passar tempo de qualidade juntos.
Durante o isolamento, formas alternativas de socialização surgiram através dos jogos. Fantasy Sports e bolões se tornaram mecanismos de interação entre amigos e familiares. Segundo o relatório Fantasy Sports Market by Product, Platform and Geography – Forecast and Analysis 2023–2027, da TechNavio, a América do Sul foi a quarta maior região do mercado em 2022, com a pandemia servindo de catalisador para o comportamento digital.
“As pessoas socializam nos jogos, elas participam”, acrescentou. Mesmo com os estádios vazios e a ausência das torcidas nas arquibancadas, os torcedores encontraram em ligas de Fantasy e apostas coletivas uma maneira de manter viva a emoção de torcer.

Para Calegari, o mercado de apostas carrega em si a promessa de engajamento e comunidade, algo que ficou, de certa maneira, perdido durante a pandemia, e que não foi completamente recuperado após o fim do isolamento. Diante de uma visão tão positiva sobre a indústria, não pude evitar questionar se ela se sentia realizada com a mudança de ares musicais, dos palcos para “o Tigrinho”.
“Sinto que se sentir realizada é algo limitador, mas é uma área empolgante para se estar”, Bruna Calegari afirmou com otimismo, deixando as portas abertas para as novidades que o mercado de apostas tenha pela frente.
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