Clubes da Bolívia manifestam-se sobre a reestruturação dos campeonatos proposta pela FBF

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Após Fernando Costa, presidente da Federação Boliviana de Futebol (FBF), anunciar o cancelamento da Copa Tigo e da Liga Tigo e a suspensão da Comissão de Arbitragem nacional por denúncias de manipulação de resultados em diversos jogos deste ano, clubes locais manifestaram-se sobre a decisão.

“A única opção viável é realizar um novo torneio onde prevaleça uma competição saudável e que tenha as garantias necessárias de que esses eventos desastrosos nunca mais acontecerão”, disse o Blooming em comunicado oficial.

Embora essa perspectiva tenha sido apoiada por muitos representantes do futebol boliviano, até o momento, o Blooming é o único que fez uma declaração oficial ao público após o Conselho da Divisão Profissional confirmar, na última terça-feira (5), que os campeonatos e a arbitragem estavam anulados.

“O diretório do Booming informa a todos os seus torcedores que foi decidido aprovar as deliberações do Conselho da Divisão Profissional, haja vista que se realizavam torneios em que há indícios suficientes de manipulação de resultados e fraude em apostas esportivas”, declarou o clube.

Ainda, ratificaram o apoio às medidas tomadas: Tornamos público o nosso pedido para que a Comissão Executiva atue com celeridade perante os tribunais correspondentes para punir imediatamente todos aqueles que tentaram manchar o nosso futebol”.

O treinador do Jorge Wilstermann, Cristian Díaz, disse que, atualmente, a Justiça boliviana enfrenta o caso apresentado por Costa ao Ministério Público, e que possui nomes confirmados que ainda não foram divulgados.

“Tem gente que pensa todos os dias em prejudicar o futebol. Aqui, você tem de fazer uma mudança radical de todos os pontos de vista. É mais uma mancha para esse futebol e para o seu crescimento”, comentou Díaz.

A FBF já solicitou à Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) a viabilização de outro torneio para os últimos meses do ano, em que possa ser definido o campeão de 2023 e a nova reestruturação das competições esportivas na Bolívia.

“Acho que, na Bolívia, as coisas precisam ser melhoradas no campeonato, para crescer como Seleção Nacional”, concluiu Díaz.

O The Strongest, em contrapartida, posicionou-se oficialmente contra a decisão da FBF: “O clube The Strongest discorda profundamente da determinação [do cancelamento], tendo em vista que é uma decisão que não resolve tudo o que acontece no futebol boliviano e que não garante que, neste novo torneio, os mesmos problemas não ocorrerão”.

Também afirmou que irá continuar colaborando para “eliminar a corrupção” e ajudará às instituições a restaurar o futebol boliviano, “buscando que tudo seja mais justo e ético”.

Entenda o caso

No final de agosto, a FBF confirmou que está investigando uma “rede de corrupção e de manipulação de resultados” após receber evidências “muito graves”, as quais envolvem a Copa Tigo, a Liga Tigo e a Copa Símon Bolívar. As evidências apontam contra clubes, dirigentes, árbitros e, possivelmente, jogadores de futebol. 

“Resultados viciados, suborno e apostas, as informações que recebemos são alarmantes. A primeira divisão e a Copa Simón Bolívar estariam contaminadas. Árbitros envolvidos, maus dirigentes e maus jogadores, se infiltraram na maioria dos clubes. Os objetivos desta rede criminosa seriam beneficiar-se financeiramente e manchar a gestão do comitê executivo”, destacou Costa, à época, ao jornal La Razón.

Após reunião em congresso ordinário na terça-feira, 5, a FBF suspendeu oficialmente os campeonatos da Primeira Divisão (Copa Tigo e Liga Tigo) e o Comitê de Arbitragem deste ano. A continuidade da Copa Simón Bolívar, que também está sob suspeita, ainda não foi definida.