A Federação Boliviana de Futebol (FBF) solicitará a suspensão da Copa Tigo Bolivia, campeonato da Primeira Divisão, e da Copa Simón Bolívar devido a denúncias de fraude em apostas em diversos jogos de futebol do país.
A FBF confirmou que está investigando uma “rede de corrupção e de manipulação de resultados” após receber evidências “muito graves”, as quais também envolvem a Copa Simón Bolívar na Colômbia, no Equador, no Peru e na Venezuela.
Em entrevista ao jornal La Razón, Fernando Costa, presidente da FBF, afirmou que solicitará a paralisação dos campeonatos suspeitos de fraude.
“Resultados viciados, suborno e apostas, as informações que recebemos são alarmantes. A primeira divisão e a Copa Simón Bolívar estariam contaminadas. Árbitros envolvidos, maus dirigentes e maus jogadores, se infiltraram na maioria dos clubes. Os objetivos desta rede criminosa seriam beneficiar-se financeiramente e manchar a gestão do comitê executivo”, destacou Costa.
As evidências apontam contra clubes, dirigentes, árbitros e, possivelmente, jogadores de futebol. A FBF realizará, em sete dias, uma reunião do Conselho Superior em congresso ordinário para sugerir a suspensão das competições até que o assunto seja apurado.
Ainda, Costa ressaltou que, caso a investigação confirme a participação dos clubes na manipulação, serão demitidos da federação: “A informação é de conhecimento de todos os presidentes da primeira divisão e (até) de torcedores. Existe uma grande preocupação e acionamos assessores legais da FBF. No campo desportivo, executaremos sanções exemplares e tudo será enviado à Justiça comum. Vou convocar de maneira imediata um conselho profissional e de torcedores para além do congresso ordinário”.
O assessor jurídico da FBF, Gustavo Camacho, declarou que iniciou o processo de tramitação para encaminhar os fatos ao Ministério Público, que a partir dos primeiros dias da próxima semana poderá tratar do caso, “de tal forma que aqueles que possam estar envolvidos também possam ser convocados”.
Conforme destacou Costa, “a sugestão” estabelecida pela máxima autoridade do futebol boliviano será expor os fatos ao Congresso perante ambos os conselhos dirigentes para que haja “paralisação e suspensão dos torneios da Divisão Profissional e da Copa Simón Bolívar, porque o fair play e a integridade estão em questão”.
Até o momento, a Federação Sindical de Futebolistas Profissionais da Bolívia (FABOL) não se pronunciou sobre as novas denúncias, embora tenha respondido a Evo Morales pelas acusações contra os jogadores de futebol do Club Atlético Palmaflor (Morales denunciou, semanas atrás, os jogadores do clube, em que é administrador, por manipulação de resultados).
À época, em carta dirigida ao público, a FABOL afirmou: “Rejeitamos as declarações e as conjecturas do senhor Juan Evo Morales Ayma, que, sem apresentar provas, afirmou que existe uma máfia entre a arbitragem e alguns jogadores. Se tiver provas, apresente a respectiva reclamação”.
Em nota, o sindicato de jogadores disse que, se não houvesse comprovação da acusação de Morales, o ex-presidente deveria, publicamente, retratar-se de suas declarações.
Na segunda semana de agosto, a Autoridade Tributária e de Controle Social do Jogo (AJ) do país chamou a atenção para a “proliferação” de ofertas de apostas ilegais, tanto em estabelecimentos presenciais quanto em plataformas on-line.
O diretor regional da AJ, Jorge Tapia, revelou que a organização está rastreando todos os sites de jogos e de apostas on-line que operam no país sem qualquer tipo de licença por parte das autoridades.
Ainda que o jogo seja legal na Bolívia e mais projetos regulatórios estejam sendo desenvolvidos para atender a mais verticais e tecnologias, a AJ pediu ao público que acesse os diferentes canais de reclamação para impedir a disseminação e a participação em plataformas ilegais de jogos on-line.












