A indústria de pagamentos é um cenário em constante evolução, repleto de novas regulamentações e desafios que forçam operadores e fornecedores a se adaptarem quase que instantaneamente. Mas em mercados maduros e estabelecidos esses desafios continuam a existir? Ou sequer existe tal coisa como um mercado maduro?
Na coletiva de imprensa de abertura do novo Payment Expert Summit, durante o SBC Summit 2024, cinco líderes das indústrias de pagamentos e jogos on-line se reuniram para discutir como operadores e fornecedores podem ajudar uns aos outros a alcançar clareza regulatória.
A moderadora Andrea McGeachin, CEO da Neosurf, fez uma pergunta ao painel sobre alguns dos melhores exemplos de um mercado de pagamentos ou jogos maduro, e a resposta foi, surpreendentemente, nenhuma.
Embora o Reino Unido tenha sido frequentemente exaltado por sua posição como líder em pagamentos e um dos exemplos mais brilhantes de um mercado de jogos estabelecido, acontecimentos recentes nos últimos anos, envolvendo o White Paper da Lei de Jogos, levantaram novas questões sobre verificações de acessibilidade.
Isabelle Delisle, chefe global de soluções de pagamento da Pinnacle, citou o Reino Unido e outros mercados tidos por maduros para mostrar como eles estão enfrentando desafios constantes em suas diretrizes regulatórias, uma vez que as preocupações de consumidores e políticos forçam operadores e fornecedores a fazer as mudanças necessárias.
Ela explicou que mercados emergentes que cresceram em grande volume nos últimos anos estão agora implementando suas próprias estruturas regulatórias, como o próximo mercado de apostas esportivas on-line no Brasil.
Porém, à medida que esses mercados emergentes começam a formar suas estruturas, eles enfrentarão continuamente os padrões de conformidade necessários para que os operadores não apenas acessem esse mercado, mas também cumpram os requisitos para proteger melhor seus jogadores.
Isso trouxe à tona a questão de como operadores e fornecedores podem otimizar suas integrações dentro desses mercados regulamentados. Para alguns, como a Pinnacle, seu sistema tecnológico de 25 anos funciona bem.
Ela revelou que as interfaces de programação de aplicações (APIs) dinâmicas e essenciais da Pinnacle são vitais para a empresa manter os grandes volumes de processamento de pagamentos necessários, mas também reconheceu que atualizar esses sistemas é um desafio à medida que novos padrões surgem.

Uma empresa que teve que se ajustar mais do que a maioria é a LeoVegas, mencionada por Christian Reinheimer, diretor de Produtos e Tecnologia de Pagamentos.
Ele explicou que, enquanto a maioria das regulamentações ainda está evoluindo, para operadores de múltiplos mercados como a LeoVegas, a complexidade das conformidades regulatórias desafia a capacidade de fornecer uma gama mais ampla de métodos de pagamento alternativos.
Reinheimer também explicou como tanto operadores quanto fornecedores nas indústrias de pagamentos e jogos têm que lidar com regulamentações em mudança sobre lavagem de dinheiro, e como o fornecedor é de extrema importância para ajudar a guiar o operador, não apenas com as melhores soluções, mas com o conhecimento certo.
A conversa então se desdobrou para o tópico do compartilhamento de dados, que pode resolver quase instantaneamente muitos dos padrões de conformidade de proteção ao consumidor impostos aos operadores.
Simon Dorsen, diretor comercial da OKTO, acredita que o compartilhamento de dados está se tornando um “pré-requisito” para que as empresas se envolvam. Ele disse que, embora seja importante manter a conformidade, as empresas não devem perder de vista o consumidor final, removendo a fricção desses vários parâmetros de segurança para garantir uma experiência de usuário mais fluida.
Muitos tópicos do dilema de compartilhamento de dados têm suas raízes em Open Banking. Essa tecnologia de pagamento inovadora está sendo requisitada por aqueles da indústria de pagamentos, e pelo governo do Reino Unido, para ser introduzida com o fim de agilizar as verificações de acessibilidade.
Mas, como Reinheimer observa, isso pode ser “muito intrusivo” para os consumidores – que podem não estar dispostos a compartilhar informações sensíveis.
Isso traz à tona a crença na necessidade de um ato de equilíbrio entre operadores e fornecedores. Os fornecedores terão que encontrar as melhores práticas para informar os operadores sobre os benefícios do Open Banking, enquanto o operador precisará encontrar a melhor solução para seu usuário final.
Esse sentimento foi reforçado pelo vice-presidente de Jogos da Trustly, Vasilije Lekovic, que acredita que os fornecedores devem antecipar regulamentações para informar os operadores sobre sua implementação iminente.
Para concluir, ele compartilhou por que a necessidade de uma parceria mais integrada entre operador e fornecedor é mais crucial do que nunca, à medida que novas regulamentações continuam a ser propostas tanto na indústria de pagamentos quanto na de jogos.












