SBC Summit Rio 2026: proteção ao jogador além da regulamentação

Painel de Proteção ao Jogador realizado no SBC Summit Rio 2026.
Crédito: SBC

Durante o primeiro dia de conferências do SBC Summit Rio 2026, cinco executivos da indústria de apostas e jogos online se reuniram no palco de Inovação Tecnológica para discutir como plataformas estão protegendo os jogadores de forma mais ativa e com o uso de tecnologia de ponta, em prol do jogo responsável.

Allison Santos, ombudsman e diretor de Jogo Responsável da VBET, Laura Beatriz de Souza Morganti, diretora de Assuntos Institucionais da BetBoom, Muriel Le Senechal, gerente comercial LATAM da Fast Track, Breno Calegari, gerente executivo comercial da Serasa Experian, e a moderadora Luciana Hendrich, CLO da CLEDX Solutions, passaram mais de 40 minutos discutindo como a proteção ao jogador é um fator indispensável para casas de apostas regulamentadas.

A proteção ao jogador também é benéfica para a empresa

Santos explicou a VBET que o jogo responsável também protege o operador além dos apostadores. Para o executivo, que também é psicólogo e especialista em vício em apostas, enquanto cabe ao marketing trazer o rendimento para a empresa, o setor de conformidade é responsável por garantir que este GGR (receita bruta de jogos) não vá embora por meio de processos judiciais e perda reputacional.

“O jogo responsável é um termômetro do negócio. Quando eu tenho um aumento muito grande na quantidade de pedidos de autoexclusão, é um termômetro. Eu vou para o meu CEO, eu vou para o meu gerente de operações e falo: ‘cara, algo está errado. Esse mês, nós triplicamos a quantidade de self-exclusion’. Nós temos essa vantagem de ter independência do jurídico e da figura do jogo responsável ser muito forte dentro do compliance”, disse Santos.

Morganti concordou com Santos e foi além, argumentando que políticas de jogo responsável e proteção ao jogador não são um “custo regulatório”, porque, no médio prazo, elas revertem em conversão e retenção de apostadores.

Como dados financeiros e comportamentais contribuem para políticas mais eficazes

Para Calegari, que é responsável pela estratégia comercial da Serasa no iGaming, ao analisar a saúde financeira do apostador, operadores protegem o apostador e a própria empresa.

“44% dos apostadores falaram [em uma pesquisa feita pela Serasa] que eles já tinham apostado para recuperar uma dívida. Ou seja, esse não é o apostador que a casa de aposta quer que esteja apostando com eles”, disse Calegari.

Para o executivo, dados como análise de crédito e análise financeira ajudam a proteger o apostador que não possui educação financeira, como o apostador que faz depósitos com esperança de convertê-los em uma renda extra, e também protegem os operadores.

“Se a casa não se protege e não toma as medidas necessárias para evitar esse tipo de apostador, ela também vai ser prejudicada lá na frente [por conta da judicialização]”, concluiu Calegari.

Já Morganti acrescentou que o apostador endividado não traz ganho a longo prazo para a empresa e que empresas que não possuem boas políticas de proteção ao jogador acabam comprometendo seu futuro.

Tecnologia e inteligência artificial não substituem intervenção humana

Ao ser perguntada por Hendrich se a tecnologia e a inteligência artificial (IA) podem vir a substituir humanos que fazem a proteção ao jogador, Le Senechal deixou bem claro que a tecnologia serve para auxiliar o trabalho dos funcionários.

“A gente nunca vai substituir a necessidade de ter um ser humano do outro lado, mas a gente consegue fazer a vida dele ser muito mais fácil”, afirmou Le Senechal.

E acrescentou: “Por exemplo, na hora que você precisa aprovar um saque, você tem 24 horas para aprovar um saque e vai ter que analisar todo o comportamento daquele jogador para entender se ele era um jogador em comportamento de risco ou se ele era um jogador em comportamento de abuso de bônus. Então, essa tecnologia, essa inteligência artificial vai ajudar as equipes de KYC a identificar esses comportamentos, taguear esses jogadores e facilitar muito a automatização”.


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