Alesp discute dependência em apostas online

Rômulo Fernandes no ato de lançamento da Frente Parlamentar de Combate e Tratamento do Transtorno do Jogo
Crédito: Alesp

Ontem, 25, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) anunciou o recebimento do ato de lançamento da Frente Parlamentar de Combate e Tratamento do Transtorno do Jogo.

A ação, coordenada pelo deputado estadual Rômulo Fernandes (PT), visa reduzir os impactos negativos causados pela prática excessiva de apostas online.

O parlamentar também é autor da Lei nº 18.186/2025, que estabelece o Programa Estadual de Conscientização e Tratamento aos Malefícios dos Jogos de Apostas Online e Cassinos Físicos.

“Consegui sensibilizar meus colegas, inclusive da oposição, para aprovar a lei. Agora, ela está em fase de regulamentação, que não deve ser construída apenas no Palácio dos Bandeirantes ou na Secretaria de Saúde”, disse Fernandes.

O empresário Alex Araújo Freitas, que integrou a mesa do evento, celebrou o lançamento da Frente Parlamentar, destacando que antes pessoas com comportamentos compulsivos e ludopatas não tinham o suporte necessário para enfrentar a dependência.

“Conheci o jogo em 2018. Era somente uma brincadeira, um lazer com amigos. Infelizmente, esse lazer acabou trazendo problemas. Eu fiquei viciado em apostas por 5 anos e perdi muito dinheiro. Foram mais de R$ 300 mil que consegui contabilizar, fora os recursos que eu tinha. Comecei a perder tudo, não só a parte financeira como social e familiar também”, compartilhou Freitas. 

O empresário reforçou a importância de pedir ajuda, afirmando que só conseguiu melhorar com o apoio de amigos e familiares. 

“Todos nós precisamos nos dedicar para que as pessoas se envolvam nessa regulamentação. É importante colocar, enquanto serviço público, a possibilidade de tratamento, assim como a capacitação de profissionais e a questão da campanha, de fazer propaganda desses malefícios”, acrescentou Fernandes.

Vídeo oficial do ato de lançamento da Frente Parlamentar de Combate e Tratamento do Transtorno do Jogo

Hermano Tavares, psiquiatra e coordenador do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico, explicou a relação entre a dependência e fatores psicossociais e as consequências da prática compulsiva – como endividamento e ruptura familiar – e defendeu limites rigorosos para a publicidade do setor. Para Tavares, a saúde mental é o “personagem principal” e não mais um problema a ser observado. 

“Pessoas com problemas com jogos são 3,6% da população – é a terceira compulsão mais persistente no nosso país. O indivíduo que aposta compulsivamente se compromete e compromete as pessoas à sua volta”, explicou o psiquiatra.

Tavares acrescentou que a comunicação adequada é fundamental para garantir responsabilidade no mercado – influenciadores não podem divulgar apostas afirmando que são “complemento de renda”, afirmou o psiquiatra. 

“Na prática, você mais perde do que ganha. A propaganda disso deve ser muito limitada”, disse Tavares. 

A reunião também contou com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Serviço Nacional de Apoio ao Consumidor e da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

A inscrição para ter acesso à newsletter do SBC Notícias Brasil está disponível aqui.

Acompanhe os maiores e mais importantes acontecimentos do mercado brasileiro de apostas regularmente. Toda segunda, terça e quinta-feira, o portal envia um resumo com as notícias postadas recentemente diretamente na sua caixa de mensagem.