O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é considerado mais responsável pela expansão das apostas online no Brasil do que a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisa realizada pela More in Common Brasil e pelo Ipsos-Ipec. Apesar dessa percepção, o posicionamento dos candidatos sobre a restrição às apostas online não deve ser determinante para a maioria dos eleitores na eleição presidencial de outubro.
Os dados foram publicados inicialmente pela Folha de S.Paulo em 17 de julho. O Ipsos-Ipec entrevistou presencialmente 2 mil pessoas com 16 anos ou mais, em 130 municípios, entre os dias 4 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
De acordo com o levantamento, 18% dos entrevistados atribuem principalmente ao governo Lula a responsabilidade pelo crescimento das apostas, enquanto 4% apontam a gestão Bolsonaro.
A maior parcela da população, no entanto, não concentra a responsabilidade em apenas um dos governos. Para 35%, nenhum dos dois é o principal responsável pela expansão do setor, enquanto 33% consideram que as duas administrações contribuíram igualmente. Outros 10% não souberam ou preferiram não responder.
Responsabilização varia conforme intenção de voto

A percepção também muda de acordo com a preferência eleitoral. Entre aqueles que afirmam pretender votar em Lula, 14% responsabilizam mais o atual governo pela expansão das apostas, ante 8% que apontam a gestão Bolsonaro.
No grupo de eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 28% atribuem maior responsabilidade ao governo Lula, enquanto somente 3% mencionam a administração de Jair Bolsonaro. Outros 34% desse segmento responsabilizam igualmente as duas gestões, e 28% não apontam nenhuma delas.
Entre os entrevistados que pretendem votar em outros candidatos, em branco ou anular o voto, 15% responsabilizam o governo Lula e 2% indicam a gestão Bolsonaro. Nesse recorte, 42% apontam responsabilidade compartilhada entre os dois governos.
As apostas de quota fixa foram legalizadas em 2018, no governo Michel Temer (MDB). A legislação estabeleceu um prazo para a regulamentação do mercado, mas as regras específicas não foram implementadas durante a gestão Bolsonaro. A regulamentação foi aprovada em dezembro de 2023, no terceiro mandato de Lula, e entrou em vigor a partir de janeiro de 2025.
“Não apenas mais brasileiros consideram que Lula é mais responsável do que Bolsonaro pela disseminação das bets, como essa maior responsabilização de Lula aparece até mesmo entre os seus eleitores”, afirmou Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common Brasil.
Opinião sobre apostas não deve orientar decisão eleitoral
Embora a expansão do setor regulado de apostas provoque debates políticos e regulatórios, o tema não deve exercer influência direta sobre o voto da maioria dos brasileiros.
Questionados sobre um candidato que defenda mais restrições às apostas, 58% responderam que essa posição não alteraria sua disposição de votar. Outros 24% disseram que teriam mais vontade de apoiar esse candidato, enquanto 12% afirmaram que a proposta reduziria a possibilidade de voto. 7% afirmaram não saber a resposta.
Apesar de ter sancionado a Lei das Apostas em 2023, Lula é bastante crítico ao setor, a ponto de sua opinião ser parte da estratégia do PT para as eleições de outubro.
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