Atualmente, os sites de apostas estão entre as principais buscas de brasileiros. O domínio ‘bet.br’, de uso obrigatório por plataformas licenciadas, já obteve 1,7 bilhão de acessos desde o início do mercado regulamentado.
Esse número posiciona as casas de apostas on-line como a 2ª maior fonte de tráfego on-line no país, ficando atrás apenas do Google, e como uma das 17 fontes mais visitadas em escala mundial.
Segundo o Aposta Legal, o tráfego de sites de apostas licenciados no Brasil supera acessos globais das plataformas consolidadas Twitch e Pinterest, uma vez que cada site possui 1,2 bilhão de acessos.
Além disso, o número de acessos de empresas de apostas legais é 20 vezes superior ao número de acessos do LinkedIn, que apresentou, aproximadamente, 50 milhões de visitas no primeiro mês deste ano.
Após o lançamento oficial do mercado regulamentado, o tráfego de sites de apostas ultrapassou o do YouTube, do Instagram, do TikTok e do WhatsApp.
O tempo médio de permanência também foi elevado. Os brasileiros passaram cerca de 13 minutos em sites de apostas, enquanto que, no Google, o tempo médio de permanência é de 10 minutos e 47 segundos.
A pesquisa observou, ainda, que foram 300 milhões de aparelhos únicos, incluindo computadores, tablets e celulares, que acessaram, pelo menos, um site de apostas licenciado em janeiro.
Em comparação a dezembro, um mês antes da regulamentação entrar oficialmente em vigor, o número de acessos em casas de apostas on-line foi de 833 milhões.
Segundo especialista, o qual não foi identificado na reportagem, a regulamentação das apostas colaborou com a expansão da publicidade, além de formalizar o mercado, atraindo novos usuários e aumentando o número de acessos de sites licenciados.
“Segundo a fonte, não há garantia de que 1,7 bilhão de pessoas tenham apostado em sites [de apostas], mas dados sugerem que a regulamentação dobrou a exposição do brasileiro a esse tipo de conteúdo”, informou o Aposta Legal.
Análises estatísticas e crescimento das apostas no Brasil
Ricardo Santos, cientista de Dados e fundador da Fulltrader Sports, empresa de softwares SaaS para o mercado de apostas esportivas, comentou o setor no Brasil. Para Santos, o avanço acelerado na indústria local reflete o aumento do número de apostadores nos últimos anos e de empresas no mercado.
Segundo a empresa, a crescente popularidade das apostas no país – e em toda região latinoamericana – fez com que a análise de estatísticas ganhasse espaço, permitindo alcançar resultados mais precisos.
“O mercado não é mais intuitivo como antes. Hoje, quem não usa dados para basear suas apostas está em desvantagem significativa”, disse Santos.
O cientista destacou, ainda, que a análise estatística permite a identificação de padrões ocultos e a antecipação de tendências com maior precisão.
“Nosso software combina modelos preditivos e históricos de desempenho dos times. Isso permite calcular as probabilidades reais de resultados, como gols, escanteios e outras variáveis que afetam diretamente as apostas”, explicou Santos.
O especialista também reforçou que, no Brasil, desde 2022, os serviços de tecnologia relacionados ao setor de entretenimento cresceram 23%, conforme estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Para Santos, a “estatística traz o equilíbrio necessário, ajudando a evitar perdas e a manter uma estratégia consistente em longo prazo”. As análises mais avançadas abrangem coleta de dados em tempo real e uso de algoritmos que simulam probabilidades específicas.
Como exemplo, a empresa destacou que, por meio da observação de partidas anteriores, o sistema indica fatores que aumentam a chance de vitória de um determinado time – ao considerar aspectos como lesões de jogadores, histórico de jogos e, até, condições climáticas.
O cientista de Dados também informou que o objetivo da Fulltrader Sports vai além de vender o software – a empresa visa ajudar apostadores a desenvolverem “uma mentalidade analítica”, ensinando-os a entenderem qual o papel das estatísticas no mercado de apostas on-line.
“A vantagem é que o usuário não precisa ser um especialista em matemática. A solução é feita para simplificar o processo e fornecer informações fáceis de interpretar”, disse Santos, afirmando que cada apostador consegue definir preferências para receber recomendações personalizadas e exclusivas.
Ascensão dos e-Sports
Santos também comentou a ascensão dos esportes eletrônicos no Brasil, que, segundo dados da Newzoo, empresa global de pesquisas do setor de jogos, possui 17 milhões de fãs regulares. As apostas na modalidade têm se tornando cada vez mais populares na região, aumentando, ainda, a audiência nas plataformas de transmissão ao vivo.
“O mercado [de e-Sports] vive uma fase semelhante à do futebol há alguns anos, com o aumento das ligas, de patrocínios e da visibilidade nas mídias digitais. Isso desperta o interesse de quem busca oportunidades de apostas em modalidades inovadoras”, afirmou Santos.
Para o cientista de Dados, a expansão das apostas em e-Sports está relacionada ao avanço tecnológico e à popularização de torneios transmitidos por plataformas de streaming, como Twitch e YouTube.
Conforme explicou a Fulltrader Sports, os campeonatos de esportes eletrônicos, incluindo League of Legends (LoL), Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) e Valorant, atraem “milhões de espectadores”.
Além disso, com o aumento de investimentos de patrocinadores e a criação de ligas oficiais, como o Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL), o setor ganhou mais seriedade e previsibilidade, atraindo mais apostadores.
Segundo levantamento da FGV, o mercado brasileiro de jogos on-line cresceu 27% entre 2020 e 2023, principalmente devido à pandemia da COVID-19, que fez com que acontecesse uma “migração do consumo de entretenimento” ao meio digital. Isso também aumentou o número de apostadores na modalidade de e-Sports.
Desafios dos e-Sports ao apostar
Os esportes eletrônicos possuem um cenário mais volátil e dinâmico, apresentando mudanças nas equipes de maneira frequente e, até, nas regras dos jogos. Como consequência, as previsões para apostar se tornam ainda mais complexas e os riscos de perdas são maiores, principalmente para apostadores iniciantes, quando comparados ao futebol e a outros esportes tradicionais.
Além disso, Santos destacou que, como os e-Sports ainda estão se consolidando na região, é preciso ter ainda mais cuidado com mudanças inesperadas, as quais impactam diretamente nas probabilidades.
“Apostar em e-Sports exige conhecimento profundo da modalidade. Por ser um mercado relativamente novo, é comum vermos iniciantes enfrentando dificuldades ao tentar aplicar estratégias usadas em esportes tradicionais”, disse o especialista.
“Disciplina e gestão de risco são fundamentais para quem deseja apostar de forma sustentável”, aconselhou Santos.
Segundo pesquisa realizada pelo Gambling Insider, em 2023, o mercado de apostas em e-Sports movimentou cerca de US$ 17 bilhões. Apesar da popularidade da modalidade, “o segmento ainda carece de regulamentação específica”, destacou a Fulltrader Sports, afirmando que a expectativa é que, com o novo marco regulatório das apostas no Brasil, o setor de esportes eletrônicos também deve receber regras claras.
“Queremos promover uma cultura de análise e de planejamento, especialmente em um mercado tão dinâmico quanto o dos esportes eletrônicos”, disse Santos. O especialista ressaltou que visa ensinar apostadores a interpretarem dados e a lidarem com peculiaridades, indo além “apenas da sorte”.
47% do público de apostas é feminino
Outro ponto abordado pelo cientista e fundador da Fulltrader Sports foi o público das apostas, inicialmente visto como território masculino. Segundo comunicado da empresa, “nos últimos anos, as mulheres vêm ocupando cada vez mais espaço nesse mercado”.
Conforme estudo realizado pelo Instituto Locomotiva, em 2024, as mulheres representavam 47% dos apostadores brasileiros. Esse levantamento também revelou que a idade desses entrevistados era de 30 a 49 anos e de diferentes classes sociais.
“Esses dados indicam que as mulheres estão se tornando uma força relevante dentro do ambiente das apostas”, destacou a Fulltrader Sports.
Para Santos, esse crescimento aconteceu de forma gradual, e a presença feminina no mercado de apostas traz uma abordagem mais estratégica e analítica. Vivian Santana, apostadora, destacou que as mulheres tendem a tomar decisões mais calculadas e estratégicas, enquanto que a maioria dos homens acabam sendo influenciados quando o time de coração está em campo.
“Percebo que a quantidade de mulheres interessadas [em apostas] têm aumentado consideravelmente. A popularização das plataformas ajuda, mas o principal [motivo] é a constatação de que esporte não é e nunca foi terreno 100% masculino”, comentou Santos.
“Isso vai de pessoa para pessoa, porém acredito que a maior parte dos homens vem para as apostas por gostar de futebol. Já as mulheres, algumas vêm por gostar do esporte e outras pelo interesse nas apostas em si, em aprender algo novo, mesmo não gostando tanto dos esportes”, explicou a apostadora.
Apesar do número de mulheres ter crescido, o público das apostas ainda é majoritariamente masculino. Segundo a apostadora, o maior desafio é entrar em uma área dominada por homens e “obter espaço, credibilidade e respeito”.
“O mercado ainda está engatinhando no que diz respeito à inclusão feminina. O Brasil tem mais mulheres do que homens, e muitas delas se interessam por esportes e finanças. Existe um grande potencial a ser explorado, mas, por enquanto, o foco do setor ainda está no público masculino”, acrescentou Santana.
Santos concluiu afirmando que, como esperado, as mulheres estão mostrando que podem contribuir com o ambiente de apostas: “O mercado só tem a ganhar com essa diversidade”.












