A Flutter Brazil anunciou a saída da Betfair do mercado brasileiro, com cortes no quadro de funcionários. A Flutter Entertainment, responsável pela marca no país, já havia informado sobre o corte de até 1.400 empregos no Reino Unido e na Irlanda, em meio a uma reestruturação da divisão e a pressões regulatórias e tributárias.
Em uma entrevista à NEXT.io, a Flutter Brazil explicou: “Após revisar sua estratégia comercial, a Flutter Brazil decidiu concentrar suas atividades em uma única marca, a Betnacional, o que resultará no encerramento das operações da Betfair no país. Assim que houver clareza sobre o cenário regulatório, a empresa direcionará recursos e expertise para a marca local, reforçando seu foco no produto e simplificando seu modelo de negócios”.
A decisão acontece em meio às incertezas sobre o futuro do mercado regulado no Brasil. Segundo a Flutter, a Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu as apostas online no país, impactou diretamente a operação do grupo, especialmente ao interromper suas atividades comerciais e sua receita no mercado brasileiro.
“Diante desse cenário desafiador, a empresa tomou a difícil decisão de reduzir seu quadro de funcionários em diferentes áreas do negócio. O objetivo é manter uma estrutura operacional ágil, pronta para responder assim que houver clareza sobre os desdobramentos da MP”, acrescentou a Flutter Brazil.
A empresa também reforçou que reconhece a contribuição dos profissionais afetados e lamenta o impacto dessas decisões sobre eles. Segundo a Flutter, o processo está sendo conduzido com responsabilidade, respeito e cuidado com os empregados.
“A Flutter Brazil continua defendendo um mercado regulamentado e supervisionado como a forma mais eficaz de proteger os consumidores, combater as apostas ilegais e promover o desenvolvimento sustentável do setor”, afirmou a empresa.
Impacto da MP para Flutter no Brasil

Em 28 de setembro, um dia após a publicação da MP, a Flutter informou que havia interrompido suas operações no Brasil. Na ocasião, estimou perdas de aproximadamente US$ 70 milhões em receita e US$ 20 milhões em EBITDA ajustado em 2026, considerando a impossibilidade de operar no país até o fim do ano. No entanto, a empresa destacou que a saída não é permanente e que espera retomar as operações caso o Congresso rejeite a MP.
Leia também o artigo “O Brasil até pode mudar as regras. Mas quem paga a conta?”, de Bárbara Teles, para a coluna Espaço Jurídico, do SBC Notícias Brasil. O texto na íntegra está disponível aqui.
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