IBJR aponta que casas de apostas ilegais são responsáveis por 60% do mercado brasileiro

IBJR ve sites ilegais responsaveis por 60 do mercado brasileiro

Três meses após o início da vigência da regulamentação, as casas de apostas ilegais seguem tirando o sono das empresas formais do segmento. De acordo com André Gelfi, diretor e fundador do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), os operadores ilegais são responsáveis por cerca de 60% do mercado brasileiro, tendo receita bruta na casa de R$ 1 bilhão por mês.

“O nosso principal desafio, de saída, é justamente a formalização desse nosso mercado de apostas. Hoje a gente estima que, infelizmente, a maior parte do mercado ainda esteja na informalidade. O mercado regulado representa menos de 50%, talvez alguma coisa próxima de 40% desse mercado”, afirmou Gelfi, em entrevista ao Poder 360.

Para a melhoria desse índice, Gelfi citou a importância da conscientização e, principalmente, “a colaboração com o poder, com as autoridades e com órgãos fiscalizadores, para que a gente possa de fato catalisar esse processo de formalização”.

O diretor do IBJR também falou sobre as medidas adotadas pelo governo no combate à informalidade no setor. De acordo com Gelfi, o bloqueio de sites de apostas ilegais é uma medida que tem seu valor, mas que “não é suficiente por si só”. 

Até fevereiro, mais de 11.500 sites foram derrubados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). Carlos Baigorri, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) admitiu, em novembro de 2024, que o órgão necessitava de ferramentas legais mais eficazes, afirmando que, no momento, estava apenas “enxugando gelo”. Em dezembro, a Fazenda e a ANATEL fecharam um acordo de cooperação para agilizar o bloqueio de sites ilegais.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo governo nesse combate, Gelfi vê com bons olhos algumas medidas, como a restrição de publicidade às empresas licenciadas, algo que dificulta a promoção das empresas ilegais.

Para o diretor do IBJR, o principal mecanismo para coibir o mercado ilegal passa pelo monitoramento das transações financeiras: “O coração da nossa atividade é o Pix. Se as entidades financeiras têm um monitoramento eficaz de quem está fazendo o Pix, através de que CNPJ, a gente tem como sufocar essa informalidade”.

Apesar dos altos níveis de informalidade, Gelfi pontuou que o IBJR “entende que a regulamentação, como arcabouço, é moderna e viabiliza o mercado competitivo. 

“A gente está nos primórdios do desenvolvimento deste mercado e é natural que essa curva de aprendizado quanto à fiscalização de fato esteja em seu início”, completou Gelfi.

Faturamento de R$ 25 bilhões em 2024

Durante a entrevista, o diretor também falou sobre o tamanho do mercado. De acordo com Gelfi, a indústria de apostas faturou cerca de R$ 25 bilhões em 2024, número esse que deve subir nos próximos anos.

“A nossa estimativa, diante do contexto Brasil, PIB, poder de consumo, é de que esse número tende a crescer. Talvez sofra um ajuste no primeiro momento com a regulamentação. A regulamentação traz uma série de fricções necessárias para toda a parte de proteção ao apostador. Isso deve trazer um ajuste, mas a tendência é que esse mercado siga crescendo. […] O Brasil ainda tem um mercado incipiente, apesar da cifra absoluta ser bastante expressiva”.

IBJR apoia PL dos Cassinos Físicos

Durante a entrevista, André Gelfi voltou a manifestar seu apoio ao Projeto de Lei nº 2234/22, conhecido como PL dos Cassinos Físicos: “O IBJR é absolutamente favorável à regulamentação e ao regramento que insira de forma sustentável uma atividade econômica dentro da sociedade brasileira”.

“O que a gente observa, como brasileiros, é que existe uma demanda por essa atividade, existe uma informalidade histórica. São décadas, décadas e décadas enxugando gelo, tentando proibir uma atividade que está acontecendo. Um olhar mais maduro para de fato entender essa questão e criar os mecanismos para que ela aconteça de forma sustentável – já que existe esse interesse por parte da sociedade -, é a melhor forma”.

IBJR vê valores de patrocínios “acima do razoável”

Gelfi também conversou sobre o domínio das casas de apostas dentro do futebol. Atualmente, 18 dos 20 clubes da Série A têm uma operadora como patrocinadora máster. O diretor do IBJR vê o movimento com naturalidade, mas alerta: “ A dinâmica do mercado daqui para frente tende a ser de consolidação. Quando você tem a consolidação, são menos players disputando os mesmos ativos”.

“Eu entendo que deve acontecer um ajuste para baixo, porque hoje, quando você olha para esses valores e compara com o que é praticado em mercados maduros, por parte de casas de apostas – descontadas as nuances de restrições publicitárias de um mercado ou de outro -, a gente tem a sensação de que os valores brasileiros estão acima do razoável”, concluiu Gelfi, afirmando também que acredita que os ajustes devem ocorrer ainda no médio prazo.