Operação Spare investiga ligação entre PCC, apostas ilegais e fintechs

Nova Operação Carbono Oculto expõe esquema do PCC com bets de apostas ilegais
Crédito: ettore chiereguini / Shutterstock.com

O SBC Notícias Brasil informa que, após a publicação da matéria, os representantes das empresas regulamentadas BET4, Downtown E-Commerce Company B.V. (“DECC”) e Jair Almeida Toussaint entraram em contato com o portal e exerceram seu direito de resposta, negando e repudiando as informações apresentadas originalmente pela revista e reproduzidas pela SBC como alegações.

Nesta quinta-feira, 25, o Ministério Público e a Polícia Militar de São Paulo deram continuidade à Operação Carbono Oculto, chamada de Operação Spare, que apura a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em apostas ilegais, manipulação de combustíveis e criação de fundos financeiros para lavagem de dinheiro.

As ações tiveram início em agosto, quando a Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), passou a investigar operações criminosas envolvendo o PCC e fintechs instaladas na região da Faria Lima, o principal polo financeiro do país.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), suspeitos estariam operando casas de apostas ilegais em Santos (SP), utilizando máquinas de cartão vinculadas a postos de combustíveis que comercializavam produtos adulterados. Após o uso dessas máquinas, os valores seriam lavados por meio de uma fintech, ainda não revelada.

A operação mobilizou 110 agentes do Comando de Choque da PM-SP, que cumpriram 25 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades do estado. As informações são da Veja.

Foto: Reprodução/PMSP. Operação Spare conduzida nesta quinta-feira, 25.

Como o PCC estaria conectado a apostas esportivas, ou a bets ilegais?

Todo o começo da investigação seria ligada à investigação de uma casa de apostas ilegais em Santos, que despertou atenção pelo modelo de pagamento utilizado.

Na época, foi apreendida uma máquina de pagamentos por cartão vinculada ao Posto Mingatto Ltda., entregue em um endereço em São Paulo sem ligação com a sede da empresa, localizada em Campinas. Em paralelo, outra operação encontrou em um imóvel em Santos, que também abrigava uma casa de jogos, um equipamento registrado em nome do Auto Posto Carrara Ltda, segundo informações do g1.

A quebra de sigilo bancário mostrou que ambas as empresas apresentavam movimentações financeiras idênticas. Os valores recebidos seriam rapidamente transferidos para a BK Bank, fintech intermediadora de pagamentos acusada de operar recursos da facção criminosa.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a quadrilha transferia sistematicamente os ganhos obtidos em jogos ilegais para contas da fintech, após passarem por empresas de fachada. Além disso, grande parte do lucro vinha de crimes contra consumidores, com a adulteração de combustíveis nos postos controlados.

Nota de resposta de Jair Almeida Toussaint e DECC

Em cumprimento à Lei nº 13.188/2015, o SBC Notícias Brasil publica, na íntegra, o direito de resposta encaminhado pela Downtown E-Commerce Company B.V. (DECC) e pelo advogado Jair Almeida Toussaint sobre a associação indevida, originalmente da revista piauí e reproduzida em caráter de alegação pelo portal.

A DECC afirma que tais alegações são falsas, infundadas e desprovidas de base fática. A empresa atua exclusivamente na prestação de serviços fiduciários, representando formalmente empresas constituídas em Curaçao, sem qualquer envolvimento operacional ou participação em decisões comerciais.

A companhia também esclarece que atua como diretora fiduciária da Media4 Curaçao N.V., que detém apenas 2% das ações da Media4 Brasil, sem exercer poder de gestão, controle ou influência sobre suas operações.

Quanto ao contrato de patrocínio entre Vaidebet e o Sport Club Corinthians Paulista, a DECC informa que o documento foi negociado integralmente por advogados brasileiros e que o Sr. Jair Almeida Toussaint o assinou somente na qualidade de diretor fiduciário local, conforme exigência legal de Curaçao. O contrato continha uma cláusula anticorrupção, posteriormente acionada pela própria Vaidebet, sem qualquer conduta ilícita por parte da DECC ou de seus representantes.

O Sr. Jair Almeida Toussaint é descrito como advogado e consultor tributário com mais de 25 anos de experiência internacional, aprovado pelo Banco Central de Curaçao e Sint Maarten após rigorosa checagem de antecedentes criminais e financeiros.

O SBC Notícias Brasil reitera que as informações originalmente publicadas foram apresentadas em caráter de alegação, com base em reportagem da revista piauí, e publica esta nota em total cumprimento ao direito de resposta garantido pela legislação brasileira.

Nota de resposta da casa de apostas regulamentada B3T4 International Group Ltda.

A BET4, operadora internacional de apostas de quota fixa, com atuação no Brasil e no México, repudia veementemente as falsas associações feitas pela reportagem, que tentou vincular a empresa e sua subsidiária brasileira ao grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).

A B3T4 é empresa regularmente constituída no Brasil, em 2024, e titular de licença emitida pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (Portaria SPA/MF nº 472/2025). Seu quadro societário e de administradores é público e registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, inexistindo qualquer vínculo com pessoas investigadas na chamada Operação Carbono Oculto.

Mais recentemente, em 31.01.2025, a B3T4 apenas alterou seu endereço para a Avenida Paulista nº 509, sala 1513, em razão do encerramento das atividades do coworking que até então prestava serviços de escritório virtual. O novo endereço também corresponde a uma empresa de coworking (491 Coworking), que, como tantas outras, presta serviços de cessão de espaço e endereço fiscal. Trata-se de uma relação comercial legítima e comum, sem qualquer pertinência com a narrativa construída pela reportagem. A B3T4 informa que já rescindiu o contrato em vigor com o 491 Coworking.

Outro ponto destacado pela piauí foi o fato de a B3T4 manter conta corrente no Banco BS2 S.A., instituição financeira regulada pelo Banco Central do Brasil. Essa informação, por si só, não autoriza a criação de suspeitas ou a associação da empresa a qualquer atividade ilícita. A tentativa de transformar coincidências de endereço e a existência de uma conta bancária em supostas conexões com organizações criminosas extrapola os limites do jornalismo responsável.

Igualmente grosseiramente equivocada foi a forma como a reportagem se referiu aos administradores da B3T4 como se fossem “sócios”. A documentação societária da empresa, pública e acessível, evidencia de forma cristalina que sua única sócia é a empresa Media 4 Brasil – Holding Ltda. A confusão entre as figuras de administrador e sócio constitui erro elementar, que não demandaria sequer profundo conhecimento jurídico para ser evitado.

Adicionalmente, não existe nenhuma relação entre a B3T4 e a Vaidebet, empresas independentes e sem relação entrei si, competidoras no mercado brasileiro de apostas esportivas.

A B3T4 atua em estrita conformidade com a legislação e os regulamentos aplicáveis, com rígidos protocolos de compliance, políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e programas de jogo responsável. A falsa associação da BET4 ao PCC é gravemente difamatória e carece de qualquer respaldo probatório.

A empresa reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção dos usuários, e exige a publicação deste direito de resposta com o mesmo destaque conferido à reportagem original, a fim de reparar os danos causados à sua honra e reputação.