Especialista estima que abrir casa de apostas ilegal pode custar menos de R$ 1 mil no Brasil

Texto sobre apostas ilegais escrito por uma máquina de datilografia.
Crédito: Shutterstock

Uma reportagem da Agência Pública revelou a facilidade com que plataformas ilegais de apostas conseguem entrar em operação no Brasil. Segundo o veículo, scripts que permitem colocar um cassino online no ar são encontrados em grupos de pirataria no WhatsApp e no Telegram, em alguns casos gratuitamente ou por valores meramente simbólicos em comparação com o lucro que a atividade pode trazer.

O dado que mais chama a atenção vem de Felix Elmada, especialista com 12 anos de atuação no mercado de iGaming e hoje ligado à Bet Fiscal, uma plataforma que identifica sites de apostas ilegais no Brasil.

Elmada estimou que abrir uma casa de apostas ilegal no país pode custar menos de R$ 1 mil. A conta inclui cerca de R$ 300 por um script, entre R$ 300 e R$ 350 por uma API de jogos, em torno de R$ 100 por um domínio web e aproximadamente R$ 120 mensais por hospedagem em servidor privado virtual. A integração com meios de pagamento costuma não exigir desembolso inicial, já que o fornecedor cobra uma taxa por transação.

O contraste com as plataformas autorizadas é óbvio. Operadores autorizados precisam cumprir exigências de licenciamento, pagar outorga, recolher tributos e manter controles de integridade, compliance e jogo responsável. Já sites clandestinos operam sem auditoria, sem obrigação de transparência sobre o retorno ao jogador e, em muitos casos, sem garantia de pagamento de prêmios.

Plataformas ilegais também utilizam intermediadores de pagamento não credenciados ao Banco Central, o que dificulta o rastreamento do dinheiro movimentado por essas operações. Isso facilita que organizações criminosas usem plataformas ilegais para lavar dinheiro.

Governo quer asfixiar financeiramente as plataformas de apostas ilegais

Foto de Wellington Cesar, Lula e Dario Durigan.
Wellington Lima (MJSP), Lula e Dario Durigan (MF) apresentam decreto contra apostas ilegais. Crédito: Governo Federal

Por ser tão fácil abrir uma plataforma ilegal e migrar de endereço, o Brasil tem dificuldades em bloquear operadores clandestinos, apesar dos esforços da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) e da Agência Nacional de Telecomunicações para retirar milhares de sites do ar desde 2025.

Nas últimas semanas, porém, o Governo Federal endureceu a ofensiva contra o mercado ilegal de apostas. A Portaria nº 1.766/2026 do Ministério da Fazenda regulamentou o bloqueio de transações financeiras de empresas não licenciadas. Já o Decreto nº 13.033/2026 também definiu procedimentos para bloqueio de contas de operadores irregulares e envio de informações para apuração e possível perdimento de bens em favor da União.

O movimento do governo agradou representantes do setor regulado. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) afirmou que a consolidação de um mercado saudável passa pelo enfraquecimento das operações clandestinas.

Já a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) destacou que mais de 25 milhões de brasileiros apostam em sites ilegais, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.


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