Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming (7K, Cassino e Vera), licenciada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), fez um desabafo no LinkedIn sobre uma situação que enfrentou por sua atuação na indústria de apostas esportivas e de jogos online.
Na publicação, Oliveira relatou ter sido desligado de uma das principais instituições financeiras do Brasil. Segundo ele, a decisão estaria relacionada ao seu envolvimento com o mercado de apostas.

“Faz sentido que profissionais que atuam em empresas autorizadas, fiscalizadas e regulamentadas pelo Governo Federal sejam tratados como se fizessem parte de uma atividade ilegal?”, questionou o executivo.
Oliveira já mantinha vínculo com a instituição há anos, mas foi convidado a retirar seus investimentos da plataforma. Apesar da surpresa com a decisão, reconheceu que instituições financeiras têm autonomia para estabelecer suas próprias políticas e seus critérios de relacionamento.
Outro ponto levantado pelo CEO diz respeito à forma como a percepção do setor ainda é fortemente influenciada por operadores ilegais. Para ele, o episódio reforça um problema que já vem sendo discutido na indústria: “Mesmo após a regulamentação, ainda existe uma enorme dificuldade em diferenciar empresas que cumprem exigências regulatórias rigorosas daquelas que continuam operando ilegalmente”.
Na visão de Oliveira, essa separação pode ser um dos principais desafios da indústria atualmente, o que reforça a necessidade de debates sobre a legitimidade do mercado de apostas no Brasil.
“Me preocupa muito quando empresas que geram milhares de empregos, recolhem impostos, investem em tecnologia, contratam fornecedores e operam dentro das regras acabam sendo colocadas no mesmo grupo daqueles que atuam fora delas”, disse o CEO.
Oliveira também ampliou a reflexão para uma questão mais subjetiva sobre a forma como pessoas e empresas são avaliadas. Para ele, o episódio levanta um dilema sobre os critérios de percepção: as decisões são guiadas por fatos concretos ou por associações reputacionais ainda marcadas por estigmas e julgamentos prévios?
O post de Oliveira rendeu engajamento significativo e muitos pares expressaram seu apoio. Outras pessoas influentes do setor, como Ana Lacativa, cofundadora do Olho na BET, e Amilton Noble, diretor executivo da Hebara, disseram que passaram pela mesma situação.
Opinião do SBC Notícias Brasil
O relato de Oliveira ajuda a evidenciar uma tensão ainda presente no mercado recém-regulamentado do Brasil, em que a legalização não se traduz automaticamente em legitimidade.
Embora a lei estabeleça um marco jurídico claro, a consolidação de um setor como legítimo também depende de outros fatores, como percepção, reputação e aceitação institucional. No entanto, esses elementos tendem a se construir de forma mais lenta e gradual.
O episódio reforça que a consolidação de um setor regulado não depende apenas da lei, mas também da construção contínua de confiança e de reconhecimento institucional.
O ponto que permanece é como operadores e agentes da indústria podem contribuir para transformar essa percepção e encurtar a distância entre legalização e legitimidade, em um processo que ainda exige tempo, consistência e maior reconhecimento institucional.
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