B3 amplia atuação em mercados de previsão com contratos de IPCA e PIB

Fachada da B3, bolsa de valores brasileira.
Crédito: Shutterstock

A B3, bolsa de valores brasileira, lançou, nesta segunda-feira, 29, dois novos contratos de eventos ligados a indicadores econômicos brasileiros.

Segundo reportagem do Estadão, os produtos terão como referência o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador de inflação do país, e o Produto Interno Bruto (PIB), usado para medir a atividade econômica.

Os contratos foram identificados pelos códigos PCA e PIB. Neste primeiro momento, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou estes contratos para pessoas ou instituições com mais de R$ 10 milhões investidos em ativos financeiros ou certificação técnica emitida pela autarquia.

A estreia dos novos produtos amplia a estratégia da B3 no segmento de mercados de previsão. Em abril, a bolsa brasileira já havia lançado contratos de eventos atrelados ao Ibovespa, ao dólar e ao bitcoin, também voltados inicialmente a investidores profissionais.

Diferentemente de contratos tradicionais com possibilidade de perdas ampliadas por alavancagem, os contratos de eventos da B3 têm risco limitado. Na prática, o investidor se posiciona sobre a probabilidade de determinado cenário acontecer, com preço variando de R$ 0 a R$ 100.

No caso do IPCA, o contrato permite operar expectativas sobre a variação mensal do indicador. Já o contrato ligado ao PIB terá como referência a variação trimestral da economia brasileira.

Como o Brasil enxerga o mercado preditivo

Governo Federal bloqueia plataformas de mercado preditivo no Brasil.
Brasil bloqueou 28 plataformas de mercado preditivo em abril. Crédito: Wagner Lopes/Casa Civil

O lançamento ocorre em meio à discussão sobre os limites entre mercados preditivos, derivativos e apostas. Nos Estados Unidos, plataformas como Kalshi e Polymarket ganharam espaço com contratos sobre temas variados, incluindo eleições, entretenimento e eventos esportivos, mas também enfrentam questionamentos regulatórios em diferentes estados.

No Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou, no fim de abril, uma resolução que proibiu mercados preditivos ligados a esportes, eleições e outros eventos reais. A norma, no entanto, não atingiu os contratos da B3, que são enquadrados como instrumentos financeiros e têm indicadores econômicos como referência.

No mesmo mês, o Governo Federal bloqueou Kalshi, Polymarket e outras 26 plataformas de mercado preditivo de operar no Brasil, por interpretar que elas funcionam como plataformas de apostas ilegais. A Kalshi anunciou em junho que tenta reverter esta decisão.


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