A Meta está desenvolvendo um aplicativo próprio de mercado preditivo, em um movimento que pode aproximar a dona de Facebook, Instagram e WhatsApp de um setor que cresceu rapidamente, mas também atraiu atenção regulatória em diferentes países, incluindo o Brasil.
Segundo reportagem do New York Times, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, direcionou uma pequena equipe da Meta para criar um aplicativo de dispositivo móvel semelhante a Kalshi e Polymarket, as duas plataformas de mercados de previsão mais populares nos Estados Unidos. O projeto, chamado internamente de “Arena”, seria independente das principais redes sociais da Meta.
A princípio, o aplicativo não realizaria transações com dinheiro real. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal norte-americano, a proposta inicial envolve um sistema de pontos, em formato semelhante ao utilizado em videogames. No entanto, a Meta ainda não teria descartado a possibilidade de utilizar dinheiro real no futuro.
Procurada pelo New York Times, a Meta não quis comentar. No entanto, fontes afirmaram ao NYT que o projeto ainda está em fase experimental e pode não ser lançado ao público.
Iniciativa da Meta pode ampliar debate regulatório sobre mercados de previsão
O interesse da Meta surge em um momento de forte expansão dos mercados preditivos, modalidade em que usuários negociam contratos ligados ao resultado de eventos futuros, como partidas esportivas, eleições e indicadores econômicos.
Segundo o New York Times, Kalshi e Polymarket movimentaram, juntas, cerca de US$ 50 bilhões em negociações online em 2025. Em 2026, o volume já teria ultrapassado US$ 130 bilhões.
A entrada da Meta nesse segmento, mesmo que inicialmente sem dinheiro real, poderia ampliar o debate sobre a intersecção entre redes sociais, apostas, produtos financeiros e proteção ao consumidor. Nosso site-irmão, o SBC News, também lembrou que a Meta já enfrenta questionamentos relacionados à presença de anúncios de operadores de apostas não licenciados e conteúdos ligados a jogos em suas plataformas.
Nos Estados Unidos, o crescimento dos mercados preditivos também acendeu alertas sobre o uso de informação privilegiada. A reportagem do NYT citou o caso de um integrante das Forças Especiais dos EUA acusado por promotores federais de usar informações confidenciais para apostar no Polymarket sobre uma operação secreta contra Nicolás Maduro, presidente da Venezuela até a intervenção norte-americana.
Como o Brasil trata mercados de previsão

No Brasil, a eventual chegada de uma plataforma desse tipo encontraria um ambiente regulatório fechado. Desde o fim de abril, diversas plataformas de mercado preditivo, inclusive a Kalshi e a Polymarket, estão bloqueadas no país. O Governo Federal entende que essas empresas oferecem uma plataforma de apostas ilegais.
O Conselho Monetário Nacional também restringiu o mercado de derivativos através da Resolução CMN nº 5.298/2026, que é válida desde maio. A medida proibiu a oferta e negociação de contratos derivativos ligados a eventos esportivos, jogos online, temas políticos, sociais, culturais e de entretenimento.
Por enquanto, o Governo Federal já comunicou que não planeja criar uma regulação específica para mercados de previsão, como foi feito com o mercado de apostas de quota fixa e jogos online. Em entrevista recente, a cofundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara, afirmou que a empresa tentará reverter o bloqueio.
Para saber mais sobre os desafios regulatórios de plataformas de mercado preditivo no Brasil, clique aqui para ler a entrevista que fizemos com Eric Hadmann Jasper, professor do IDP, em Brasília, advogado e sócio-fundador da HD Advogados.
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