KTO encerra operações no Brasil e desliga mais de 200 funcionários após proibição das apostas

Foto de uma funcionária após ser demitida, representando o encerramento da KTO no Brasil.
Crédito: Shutterstock

A KTO Group encerrou sua operação no Brasil em 8 de outubro e desligou aproximadamente 240 funcionários após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar, em 25 de setembro, a Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no país.

Anthony MacKay, head de Afiliados da KTO, afirmou no LinkedIn que os acontecimentos recentes no Brasil levaram a empresa a fechar suas portas. O executivo lamentou a situação e destacou o trabalho da equipe nos últimos anos.

MacKay também mencionou que diversos antigos colegas estão procurando novas oportunidades profissionais e incentivou outras empresas a considerar a contratação desses profissionais.

Já Rodrigo Aires, head de Estratégia de Campanhas da KTO e um dos primeiros profissionais contratados pela empresa no Brasil, fez um relato emocional após a KTO fechar as portas no Brasil.

“Não foi só a empresa que me deu a primeira chance, mas também que me moldou como profissional. O que acaba hoje, de alguma forma, é uma parte de mim. De certa forma, é até difícil a dissociação de empresa e funcionário, tamanha a ligação que tive com a marca, com as pessoas e com todo o ecossistema”, escreveu Aires no LinkedIn.

A KTO não foi a única empresa afetada pela proibição das apostas. Um levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) divulgado em 8 de outubro identificou mais de 3.500 demissões após a medida provisória entrar em vigor.

O estrago foi tanto que a iHunters lançou uma iniciativa gratuita de recolocação profissional para os profissionais que perderam seus empregos.

KTO havia concentrado suas operações no mercado brasileiro

Fundada em Malta em 2018, a KTO iniciou suas atividades no Brasil em 2019 e, posteriormente, decidiu concentrar seus investimentos no mercado nacional.

Em agosto de 2024, a operadora deixou os mercados do Peru e do Chile para priorizar o Brasil, que se preparava para iniciar a operação regulamentada das apostas online. A empresa também estabeleceu escritórios em Porto Alegre e Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.

Em janeiro de 2025, a KTO foi uma das primeiras operadoras a receber autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), após pagar R$ 30 milhões pela outorga. A licença da KTO e das outras operadoras previamente autorizadas deve ser extinta em 25 de outubro, conforme determinado pela medida provisória, mas a ANJL tenta impedir a extinção até o Congresso Nacional tomar uma decisão sobre a MP.

O encerramento da operação no Brasil é um golpe duro para a KTO, mas o CEO Andreas Bardun afastou os rumores de que a empresa vá falir.

“Os relatos sobre a morte da KTO são muito exagerados”, disse o CEO no LinkedIn.


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