A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) identificou mais de 3,5 mil trabalhadores demitidos após a publicação da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. O levantamento parcial, divulgado na quarta-feira, 7, também aponta que 4.167 funcionários estão em férias coletivas.
Segundo a entidade, os desligamentos já representam aproximadamente 23% da força de trabalho do setor. A ANJL estima que o número de demissões possa chegar a 5,6 mil nos próximos 90 dias, o equivalente a 37% dos profissionais empregados pela indústria antes da proibição.
Os dados foram fornecidos pelos próprios operadores de apostas e consideram os desligamentos e encerramentos de contratos registrados desde 25 de setembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou a medida provisória.
O prazo para que as empresas encaminhassem suas informações à associação terminou na quarta-feira. Como o levantamento ainda é parcial, os números podem sofrer alterações após a consolidação das respostas.
A ANJL também se preocupa com a situação dos funcionários em férias coletivas, já que eles poderão ser demitidos caso a suspensão das atividades se prolongue por mais tempo.
O presidente da entidade, Plínio Lemos Jorge, afirmou que a extensão dos impactos trabalhistas reforça a necessidade de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os pedidos de suspensão da medida provisória, atualmente sob relatoria do ministro Luiz Fux. O relator, porém, deve aguardar até o fim do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), em 25 de outubro, para tomar uma decisão.
“Trata-se, portanto, de mais um fator que reforça a urgência da apreciação do pedido de suspensão da MP”, declarou Lemos Jorge.

A ANJL lembrou que as consequências da proibição não se limitam aos operadores previamente autorizados, uma vez que a atividade envolve empresas de meios de pagamento, marketing, compliance, agências, afiliados e veículos de comunicação especializados.
Lemos Jorge classificou a medida como inconstitucional e criticou seus efeitos sobre os trabalhadores, argumentando que a decisão afetou uma cadeia de empresas que dependiam economicamente do mercado regulado.
Levantamento anterior estimou 5,6 mil empregos perdidos
Na quarta-feira (7), o SBC Notícias Brasil noticiou que a proibição das apostas já havia provocado demissões em pelo menos 36 das 188 marcas autorizadas a operar no mercado regulado.
A reportagem, baseada em informações da Folha de S.Paulo e de um estudo realizado para a Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG), apresentou uma estimativa de 3,6 mil empregos diretos e outros 2 mil indiretos perdidos na cadeia de fornecedores.
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