Uma recente pesquisa da More in Common, organização sem fins lucrativos dedicada a pesquisas e diálogos, realizada em parceria com o Ipsos-Ipec, analisou a percepção da sociedade sobre a publicidade de apostas e seus impactos na confiança do público.
O estudo “O brasileiro e as bets: impacto nos influencers” avaliou 2 mil pessoas com 16 anos ou mais, entre 4 e 8 de julho, em 130 municípios. Dados do levantamento indicam que a maioria dos participantes (53%) não tem sua confiança em um artista, atleta ou influenciador afetada pelo fato de ele divulgar apostas. No entanto, uma parcela significativa (40%) afirma o oposto: não confia ou confia menos em pessoas que realizam publicidade de apostas.
Apenas 10% enxergam de maneira positiva os anúncios do setor. Em contrapartida, 51% afirmam ter uma visão negativa sobre influenciadores que promovem apostas online.
A pesquisa observou a associação entre o nível de escolaridade e a visão sobre apostas: “quanto mais anos de ensino a pessoa tem, maior a propensão de qualificar negativamente artistas, atletas ou influenciadores que anunciam apostas online”. Uma correlação semelhante foi identificada em relação aos níveis de renda.
Além disso, eleitores que declararam voto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026 demonstraram maior confiança na publicidade de apostas em comparação com os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common Brasil, afirmou: “O percentual de desconfiança é maior entre os mais escolarizados e quem tem mais renda, justamente os setores mais importantes para o mercado publicitário”.
“Os dados sugerem um trade-off pouco percebido por quem aceita esses contratos: a receita imediata da publicidade de apostas é alta, mas a erosão de confiança é elevada e se concentra nas faixas de maior renda e escolaridade”, acrescentou Ortellado.
Ao serem questionados sobre o que pensam daqueles que divulgam apostas online nas redes sociais, os participantes responderam de forma espontânea sobre diferentes aspectos, que foram subdivididos em quatro categorias, sendo elas:
- Interesse financeiro
- Dano social
- Reação da audiência
- Crítica pessoal
Também foram apontadas respostas positivas, como a percepção de que a divulgação é algo normal ou de que o influenciador é uma pessoa confiável, e neutras, incluindo a ideia de que a decisão de apostar cabe a cada indivíduo.
Ortellado destacou: “O influenciador troca, portanto, um ganho certo hoje por um desgaste de reputação no público que sustenta sua própria capacidade de monetização no futuro”.
No começo de julho, o governo definiu novas regras para a publicidade de apostas para operadores, veículos de mídia e influenciadores.
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