ANJL contesta estudo do Comsefaz sobre perdas de R$ 62,5 bilhões com apostas

Polegar apontado para baixo.
Crédito: Shutterstock

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou o estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) que estimou que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para plataformas de apostas de quota fixa em 2025.

O estudo, publicado pelo SBC Notícias Brasil na quinta-feira, 6, estimou que os brasileiros transferiram às empresas, por meio do Pix, cerca de R$ 62,5 bilhões a mais do que receberam de volta ao longo do ano passado.

Em nota, a ANJL afirmou que os dados divulgados pelo Comsefaz não correspondem à realidade do mercado de apostas e questionou tanto a metodologia quanto a interpretação dos números apresentados pelo estudo.

Segundo a entidade, o levantamento teria cometido erros relacionados ao período analisado e desconsiderado mudanças macroeconômicas que contribuíram para o crescimento do uso do Pix como meio de pagamento no Brasil.

A entidade também argumentou que os dados utilizados no estudo abrangem transferências de pessoas físicas para pessoas jurídicas classificadas em quatro segmentos — artes, cultura, esportes e recreação —, grupo que reúne diferentes prestadores de serviços e não somente empresas de apostas.

Outro ponto levantado pela ANJL foi a comparação com os números oficiais divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). A associação lembrou que o Gross Gaming Revenue (GGR, receita bruta de jogos) das empresas de apostas em 2025 ficou em aproximadamente R$ 37 bilhões.

Por essa razão, a ANJL disse que “não procede” a conclusão de que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para casas de apostas no período.

A ANJL também afirmou que o aumento da bancarização e a substituição de outros meios de pagamento pelo Pix deveriam ser considerados na análise da evolução das transferências.

Para a ANJL, analisar o montante financeiro sem separar os diferentes setores e as movimentações associadas a empresas ilegais de apostas pode produzir uma visão distorcida do mercado regulado.

Leia o posicionamento completo da ANJL

Logo da ANJL
Crédito: ANJL

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) vem a público repudiar a divulgação de dados falsos, pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), sobre um suposto volume de transações por Pix no Brasil atribuído ao mercado de apostas on-line.

Além de cometer erros graves na linha temporal à qual as transações se referem, o levantamento ignora fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento, em diversos setores da economia, do uso do Pix como meio de pagamento.

Não procede a informação de que “famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões” para as bets em 2025. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a receita bruta do setor, no ano passado, foi de R$ 37 bilhões, quase a metade, portanto, do estimado pelo Comsefaz.

Importante destacar que as transações que constam do estudo se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas para quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação, nos quais se insere uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets.

Soma-se a isso a omissão de processos de mudança na dinâmica do consumo no país, com o aumento da bancarização, fazendo com que mais pessoas passassem a usar o Pix em vez de outras formas de pagamento.

Por fim, a ANJL destaca que, segundo dados oficiais da SPA-MF, de outubro de 2024 a dezembro de 2025, exatamente o período ao qual o levantamento se refere, 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados e pelo menos 550 contas bancárias foram encerradas. Os dados mostram que avaliar meramente um enorme montante financeiro, que abrange não só vários setores, mas também contas ligadas a empresas ilegais, causa uma miopia sobre o mercado legalizado.

A indústria de apostas, mais uma vez, se manifesta contrária a divulgações irresponsáveis, tendenciosas e generalistas, de dados financeiros que não correspondem à realidade do setor, cujo retrato fiel é monitorado e divulgado apenas pelo poder regulador”.


Quer conferir mais histórias como esta? Acesse o novo canal da SBC Media no YouTube, o novo espaço dedicado a tudo relacionado à multimídia na SBC, onde nossa equipe explora em detalhes as principais notícias dos setores de apostas esportivas, iGaming, afiliados e pagamentos. 


Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.