Donas do Jogo, com Teresa Caeiro, da AMIG: como líderes millennials lidam com amor ao trabalho?

Donas do Jogo: amor & trabalho para millennials

“Não quero chegar aos 90 anos, morrer e pensar que podia ter tentado”, foi a lição que aprendi com o filme S.O.S. do Amor. O romance é, e sempre foi, muito além do amor romântico. O romance pela vida, pelo trabalho, por ter um propósito move a existência humana — inclusive a de Teresa Caeiro, COO da Playtech Brasil e uma das fundadoras da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG).

Com apenas 33 anos, Teresa faz parte da geração de mulheres millennials que tomam lugares de liderança cada vez mais cedo e não se satisfazem em crescer sozinhas: querem trazer outras mulheres para lugares de destaque por onde passam.

O amor, que destruiu heróis como Héracles, também apoiou carreiras, como no caso de Caeiro. Após Vitor — seu marido, então namorado — se mudar de Coimbra (Portugal) para Stoke-on-Trent (Inglaterra), a fim de trabalhar na bet365, Teresa conseguiu esperar apenas três meses antes de largar tudo para trás e ir trabalhar na indústria de apostas como atendente de customer service na terra do rei Charles.

“O customer service é a maior escola que você tem em uma empresa. Você precisa saber sobre procedimentos internos e regras. É conhecer o business inside-out”, ela relembrou ao me contar sobre sua trajetória profissional.

E foi por seu trabalho de base no atendimento ao cliente que Caeiro cresceu, em três anos, até ocupar o cargo regulatório da bet365 no Brasil. Com a indústria ainda em um mercado cinzento, Teresa e seu time precisaram usar suas habilidades para expandir as operações de uma das maiores operadoras do mundo até o Brasil.

Amor a uma causa importante: AMIG

Foi em meio a essa adaptação que surgiu a AMIG. Quase dois anos atrás, Ana Pamplona, Ana Barbara, Bárbara Teles, Luciana Hendrick, Natalia Nogues e Teresa Caeiro se uniram para fundar a associação.

“A AMIG nasceu da necessidade de termos mais representatividade na indústria e por estarmos cansadas de sermos sempre as únicas mulheres na sala. Achávamos que havia tantas mulheres competentes ao nosso redor, e que precisávamos dar espaço para elas. Este é todo o propósito da AMIG”, disse Caeiro.

E esse propósito já dá frutos. Hoje, a AMIG conta com mais de 1.200 associadas, um marco expressivo para a associação.

“Eu acho que estar na AMIG é um benefício. No sentido de que, se estiverem na associação, elas sabem que serão apoiadas e recebidas de maneira acolhedora”, ponderou.

“E não seria justo não reconhecer a Control F5, que é nossa apoiadora desde o dia um e fez toda a nossa estratégia. Eles conseguiram captar a essência da AMIG de uma maneira tão assertiva que fez com que a mensagem fosse adiante”, continuou.

A palavra-chave para as ações de Caeiro é simples: amor. Amor por uma causa, pela profissão, por si mesma e, claro, pelo Brasil.

Teresa se mudou recentemente para o Brasil para assumir o cargo de COO da Playtech. E, agora, seu marido — aquele a quem ela seguiu para a Inglaterra — a acompanha no país da caipirinha. Ela brincou: “Eu tenho um amor gigante pelo Brasil. Em outra vida, eu fui brasileira”.

Apesar de não poder dar um gostinho do que vem por aí em sua carreira profissional, ela foi categórica ao afirmar que espera que o crescimento da AMIG continue de forma vertiginosa e que possa permanecer neste “país maravilhoso que é o Brasil por muitos anos”.

“Ser chefe no ambiente de trabalho não significa que sou o chefe em casa”

Falando tanto em amor durante nossa conversa, não pude deixar de questionar Caeiro sobre como é trabalhar há anos nas mesmas empresas que seu atual esposo, que também está hoje na Playtech.

Conflitos são normais? É possível equilibrar um relacionamento em que há uma diferença de poder?

Para Caeiro, relacionamentos — sejam amizades, familiares ou amorosos — exigem um alinhamento de personalidade e valores. No ambiente de trabalho, “acima de tudo, você precisa ser um profissional de excelência. Você está ali para fazer um bom trabalho de acordo com os valores, regras e missões da empresa”.

“Além disso, há a relação pessoal. Se você está com uma pessoa, quer o melhor para ela. Eu ser chefe da pessoa no ambiente de trabalho não significa que sou o chefe dele em casa”, comentou.

Para ela, o grande ponto está no equilíbrio e em saber dividir o que é trabalho e o que é relacionamento. Tanto Teresa quanto seu parceiro evitam falar de trabalho em casa, como uma forma de preservar o espaço da vida pessoal.

“É necessário pensar: ‘Eu sou essa pessoa no trabalho, e, quando chego em casa, há minha vida pessoal com outro tipo de comportamento’. Do outro lado também, a pessoa precisa separar que reporta ao seu ou sua parceira. Mas a verdade é que, quando você realmente gosta de alguém, você quer que a outra pessoa brilhe. E quanto mais ela brilhar, mais feliz você vai ser. Este é o meu lado mais cheesy. E há 15 anos funciona”, ela argumentou com um sorriso sonhador no rosto.

O grande segredo, segundo Caeiro, é que “você nunca deve mudar quem é por ninguém. A partir do momento que você precisa mudar, a outra pessoa não te merece. É uma escolha própria: eu sou essa pessoa e vou escolher outra pessoa alinhada com o que quero. É impossível viver uma vida inteira tentando ser alguém que você não é”.

Ela afirmou que, apesar de isso valer para relacionamentos no geral, precisou relembrar desse conselho também em sua trajetória profissional.

“Acho que preciso pensar nessa mensagem todos os dias nesta indústria — tanto por ser mulher quanto por, muitas vezes, ser a mais nova da sala. Quando você está em uma posição de liderança sendo uma mulher jovem, é necessário lembrar disso”, refletiu.

Caeiro representa uma geração que ousa, ama e transforma, e mais do que isso, que abraça suas causas e as implementa aonde for — e tudo isso com muito orgulho de ser quem é.