O Flamengo entrou em campo contra o Santos, na quinta-feira à noite, com a frase “Proibir não é proteger” estampada em sua camisa. A ação, realizada durante a partida do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) na Vila Belmiro, protesta diretamente contra a Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proíbe as apostas de quota fixa no Brasil.
A mensagem ocupou o espaço anteriormente destinado à Betano, marca do grupo Kaizen Gaming e patrocinadora máster do clube carioca desde agosto de 2025. O acordo entre Flamengo e Betano prevê pagamentos anuais de R$ 268,5 milhões por temporada.
O Flamengo tem sido o clube mais vocal contra a proibição das apostas online, já que foi um dos mais afetados financeiramente pela decisão. A medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro, colocou em risco uma grande parte das receitas da maioria dos clubes grandes e médios do futebol brasileiro.
Flamengo e Fluminense repetirão protesto no domingo
O Flamengo pretende repetir a manifestação no domingo, 11, às 17h30, quando enfrentará o Fluminense no Maracanã, pela 30ª rodada do Brasileirão. Desta vez, o protesto será realizado em conjunto pelos dois clubes, que utilizarão a mesma mensagem em seus uniformes.
Segundo apurou o Extra, a ação foi articulada pela Betano e pela Superbet, marca que patrocina o Fluminense. Até o momento, estes dois operadores não romperam com o Flamengo e o Fluminense.
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, confirmou à FluTV, canal oficial do clube, que a iniciativa partiu das empresas. O dirigente reconheceu os problemas sociais associados às apostas, mas defendeu a importância da regulamentação para proteger os consumidores.
“Todos têm consciência de que as bets prejudicaram famílias, gerando superendividamento e problemas de saúde e sociais”, afirmou Montenegro.
O presidente também argumentou que o mercado regulado permite mecanismos de fiscalização e proteção aos apostadores, ao contrário das apostas ilegais.
Após o clássico, o Fluminense deverá voltar a utilizar a marca Superscore, aplicativo de estatísticas esportivas vinculado à Superbet, em seu uniforme.
Protesto integra mobilização apoiada pela ANJL e pelo IBJR
A manifestação do Flamengo amplia uma campanha que já vinha sendo realizada nos estádios brasileiros, com apoio da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
A mobilização começou com a utilização de placas publicitárias durante partidas como São Paulo x Santos e Atlético-MG x Red Bull Bragantino no último final de semana.
Além de “Proibir não é proteger”, a campanha apresentou mensagens como “A proibição não acaba com as apostas” e “Acaba com a proteção de quem aposta”.
A ANJL e o IBJR defendem que a manutenção do mercado regulado é necessária para garantir segurança jurídica aos operadores e preservar os investimentos realizados no futebol brasileiro.
Com a adesão de Flamengo e Fluminense, a mobilização passa a ocupar também os uniformes de dois dos principais clubes do país, enquanto o setor aguarda os desdobramentos da medida provisória no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Porém, o que se sabe até o momento é que Luiz Fux, relator das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) sobre apostas no Supremo, só deve tomar uma decisão após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O mesmo vale para o Congresso.
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