A Federação Inglesa (FA) impôs uma suspensão de três anos e meio ao ex-atacante do Shrewsbury Town e do Cheltenham Town, Ryan Bowman, por infrações de apostas esportivas.
O jogador de 33 anos admitiu ter realizado 6.397 apostas entre 15 de junho de 2022 e 13 de setembro de 2023. Dessas, 108 apostas estavam relacionadas a partidas do Exeter City, quando Bowman jogava pelo clube. Outras 243 apostas envolviam jogos do Shrewsbury Town, também durante seu período na equipe, como reportado pelo SBC News UK.
Segundo a Regra E8 da FA, em vigor desde a temporada 2018–19, qualquer participante está proibido de apostar, direta ou indiretamente, em resultados, andamento, conduta ou qualquer aspecto de jogos ou competições de futebol.
Apesar do alto número de apostas, a FA concluiu que Bowman teve prejuízo financeiro geral com essas atividades e que não há indícios de manipulação de resultados, apenas violação das regras de apostas. A entidade destacou ainda que o jogador não possui histórico de infrações anteriores.
O Shrewsbury Town, em nota, disse que foi informado pela FA sobre o caso, mas que a gravidade das acusações só foi compreendida depois. Apesar da decepção, o clube afirmou ter dado todo o apoio possível ao atleta e sua família.
Durante a investigação, descobriu-se que Bowman usava contas de terceiros para realizar apostas, numa tentativa de esconder sua atividade, o que é considerado agravante pela Comissão. A FA reconheceu, no entanto, que o jogador colaborou com a investigação e confessou os crimes, embora essa cooperação tenha sido limitada por deletar dados e relutar durante entrevistas.
O Cheltenham Town, clube que contratou Bowman em julho do ano passado, só teve conhecimento total dos fatos em outubro. Mesmo com a saída do atleta neste verão europeu, o clube desejou sorte a ele e sua família.
O caso de Bowman é mais um entre vários escândalos recentes envolvendo atletas britânicos punidos por apostas. Ivan Toney, por exemplo, foi suspenso por oito meses e multado em £ 50 mil por envolvimento em apostas, sendo banido de todas as atividades ligadas ao futebol até janeiro de 2024.
Apostas esportivas: caso Lucas Paquetá
No Brasil, o caso mais proeminente envolvendo manipulação de apostas esportivas é o de Lucas Paquetá, meia do West Ham. Ao contrário de Ryan Bowman, que apenas violou regras de apostas esportivas sem indícios de manipulação de resultados, Paquetá está sendo investigado por envolvimento direto em um possível esquema de manipulação, o que configura uma acusação mais grave.
Enquanto Bowman apostava em jogos dos próprios times onde atuava, o caso Paquetá envolve apostas feitas por terceiros sobre uma ação específica do jogador em campo, o que levantou fortes suspeitas de manipulação intencional de eventos dentro do jogo.

Além disso, houve apontamento da participação de outro jogador, Luiz Henrique, do Botafogo, na investigação do caso Paquetá. Segundo a investigação, familiares de Paquetá teriam realizado duas transferências, no total de R$ 40 mil, para Luiz Henrique dias depois que o jogador recebeu cartões amarelos em 2023, enquanto ainda jogava pelo Real Betis, da Espanha.
Outro ponto de distinção entre os casos é que Bowman teve prejuízo financeiro com as apostas, o que, na visão da FA, reforça a ausência de dolo. Já no caso de Paquetá, há indícios de que familiares estariam envolvidos, com movimentações financeiras atípicas.
Além disso, Bowman colaborou com as investigações, admitiu os erros e teve a pena reduzida parcialmente. Paquetá, por sua vez, ainda aguarda uma decisão final da FA, e a acusação, caso se confirme, pode resultar não apenas em banimento da FA, mas em suspensão internacional, com base na jurisdição da FIFA.
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