Casas de apostas rescindem contratos com emissoras de TV após proibição, segundo Folha de S. Paulo

Fachada da Rede Globo, uma das emissoras de TV afetadas pela proibição das apostas.
Crédito: Shutterstock

A proibição das apostas de quota fixa no Brasil já começou a provocar uma reconfiguração do mercado publicitário esportivo. Operadores passaram a rescindir contratos comerciais com emissoras de televisão, enquanto canais retiram anúncios e outras entregas relacionadas às marcas de suas programações.

Segundo apuração de Gabriel Vaquer, repórter da Folha de S.Paulo especializado em bastidores da TV, Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte estão entre as empresas que comunicaram o rompimento de acordos ainda na sexta-feira, 25, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar a Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026.

Paralelamente, a Globo, ESPN e Band iniciaram a retirada das ações publicitárias previstas, enquanto o SBT ainda avaliava as medidas necessárias por questões técnicas.

A Disney, responsável pelos canais ESPN, começou a se preparar antes mesmo da formalização da medida. Por volta das 15h, a empresa alertou seu departamento técnico sobre a possibilidade de precisar suspender os anúncios e organizou uma força-tarefa para impedir a exibição de publicidade de casas de apostas.

Globo e Band buscam novos anunciantes após rescisão com casas de apostas

Lula é entrevistado pela Band.
A Band foi uma das mais afetadas pela proibição das apostas. Crédito: Shutterstock

Com espaços comerciais vagos, Globo e Band já procuram empresas interessadas em assumir cotas anteriormente adquiridas por operadores, principalmente nas transmissões de futebol. A Globo, por exemplo, mantinha uma cota exclusiva para empresas de apostas tanto na Copa do Brasil quanto no Campeonato Brasileiro (Brasileirão).

A mudança também alcança propriedades mais integradas aos programas. A Band havia vendido os naming rights de atrações esportivas como o Jogo Aberto, apresentado por Renata Fan, e Os Donos da Bola, comandado por Neto. De acordo com a Folha de S. Paulo, as próximas edições já serão exibidas sem a associação às marcas de apostas.

Até o momento, Globo, Band e ESPN não pretendem, segundo a Folha, cobrar multas pela rescisão dos contratos. A intenção das emissoras é buscar uma saída negociada e preservar a relação comercial diante da possibilidade de uma mudança futura no cenário regulatório, já que a proibição foi implementada por meio de medida provisória e pode caducar após 120 dias, caso o Congresso Nacional não a aprove. As empresas previamente autorizadas já anunciaram que vão contestar a MP na Justiça, possivelmente em conjunto.

No entanto, nos bastidores do setor televisivo, há uma preocupação latente com perda imediata de receitas e possíveis demissões, já que o impacto comercial é grande.

Dados do Ibope e da Tunad apresentados pela reportagem da Folha mostram que as empresas que faziam parte do mercado regulado investiram R$ 23,6 bilhões em mídia entre janeiro de 2024 e agosto de 2026. Em 2025, a televisão recebeu 74% dos recursos publicitários do setor, ante uma média de 54% considerando o mercado publicitário em geral.

A ruptura comercial observada nas emissoras também alcança o futebol. Após o anúncio do governo, a retirada da publicidade e dos sinais de patrocínio das empresas de apostas deverá ser concluída até 5 de outubro. Com isso, operadores de apostas também estão revendo seus contratos com os clubes e devem prosseguir com a rescisão, como foi feito com as emissoras de TV.


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