ANJL suspende acordo com Sportradar para prevenção à manipulação de resultados

Acordo contratual sendo rasgado.
Crédito: Shutterstock

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) notificou extrajudicialmente a Sportradar no sábado, 26, sobre o encerramento de um acordo de cooperação voltado à prevenção da manipulação de resultados esportivos no mercado brasileiro de apostas.

Segundo a associação, a decisão foi tomada em decorrência da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira, 25, e que efetivamente proibiu as apostas de quota fixa no Brasil.

O acordo entre a associação e a Sportradar datava de fevereiro de 2026 e previa a manutenção de duas plataformas educacionais sobre integridade esportiva. A iniciativa fazia parte de uma cooperação mais ampla estabelecida pela ANJL com o Ministério do Esporte (MEsp) em setembro de 2025.

As ferramentas eram direcionadas a agentes do esporte e a autoridades envolvidas na prevenção e na investigação de possíveis casos de manipulação de competições. Entre os conteúdos disponibilizados estavam módulos sobre riscos relacionados às apostas, monitoramento e detecção de irregularidades, regras aplicáveis e canais para denúncias.

ANJL aponta impacto sobre integridade esportiva

Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL.
Crédito: Plínio Lemos Jorge

O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, classificou o encerramento da parceria como uma das primeiras consequências da decisão do Governo Federal sobre o mercado de apostas.

“Esta é a primeira das muitas consequências, infelizmente, da Medida Provisória do Governo Federal”, afirmou. Segundo Lemos Jorge, o fim das plataformas educacionais afeta ações destinadas ao esporte, aos atletas e aos apostadores.

A ANJL sustenta que o encerramento do mercado regulado não eliminará a demanda por apostas no Brasil e poderá direcionar jogadores para operadores ilegais. Na avaliação da entidade, esse cenário também mantém o risco de aliciamento de atletas e de manipulação de eventos esportivos, especialmente no futebol.

Lemos Jorge também ressaltou que operadores ilegais não estão sujeitos às mesmas obrigações e mecanismos de integridade adotados pelas empresas que atuavam no ambiente regulado. Para a ANJL, o combate à manipulação de resultados era uma das frentes desenvolvidas pelas companhias autorizadas e por entidades representativas do setor.

“Nenhuma plataforma ilegal está preocupada com casos de manipulação de resultados. Elas desejam tão somente tirar o dinheiro do apostador. Essa preocupação, por outro lado, era e é permanente nas empresas legalizadas. Trata-se de um efeito nefasto de um ato repentino e inconsequente do Executivo”, afirmou Lemos Jorge.


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