Guilherme Boulos reconhece impacto da proibição de apostas nos clubes

Foto de Guilherme Boulos, ministro do governo Lula.
Crédito: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

Guilherme Boulos (PSOL-SP), atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, reconheceu que a proibição das apostas de quota fixa no Brasil causou dificuldades financeiras para os clubes de futebol. Segundo o ministro, o Governo Federal discute alternativas para enfrentar os impactos da medida, mas ainda não definiu quais ações serão adotadas.

As declarações foram feitas na segunda-feira, 19, após uma reunião com representantes de 35 torcidas organizadas, realizada em São Paulo. De acordo com o jornal O Globo, o encontro com Boulos durou mais de duas horas e resultou no compromisso de criar um grupo de trabalho permanente para discutir as reivindicações dos torcedores.

Depois da reunião, Boulos disse a jornalistas que os operadores de apostas patrocinavam uma parcela significativa dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, contribuindo para aumentar os valores dos contratos comerciais do futebol nacional.

O ministro defendeu a decisão do governo de proibir as apostas por razões de saúde pública, mas admitiu que o encerramento das atividades do setor criou um problema para o financiamento das equipes.

“O governo está discutindo medidas. Nós não aprofundamos isso aqui hoje com as torcidas, mas certamente será um dos pontos que vamos discutir nesse grupo de trabalho permanente”, afirmou Boulos.

Boulos foi um dos integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que estiveram à frente da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu as apostas online no Brasil a partir de 25 de setembro.

Governo ainda não definiu alternativas para os clubes

Protesto contra o fim das apostas promovido por clubes. Crédito: ANJL

O reconhecimento de Boulos ocorre em meio às críticas de dirigentes esportivos à medida provisória. Antes da proibição, os contratos de patrocínio com operadores representavam uma importante fonte de receita para clubes das principais divisões do futebol brasileiro. Algumas dessas empresas também patrocinavam as competições.

Com o encerramento das atividades dos operadores, os clubes passaram a enfrentar o desafio de substituir os recursos provenientes desses acordos comerciais. Os clubes têm protestado contra a proibição nas partidas do Campeonato Brasileiro e também ingressaram como amicus curiae nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) sobre apostas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar de reconhecer as consequências financeiras da decisão, Boulos não apresentou propostas concretas para compensar a perda de receitas. A discussão sobre possíveis alternativas deverá integrar os trabalhos do novo grupo anunciado pelo ministro.

Antes da medida provisória ser anunciada, havia um rumor que o governo iria recorrer aos cofres públicos para criar um pacote de R$ 20 bilhões para os clubes brasileiros, mas essa ajuda não se concretizou, pelo menos até o momento. É possível que essa discussão esteja travada até o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25.

Paralelamente, diversos parlamentares defendem que o mercado regulado de apostas esportivas retorne e devem defender esse ponto de vista assim que a medida provisória for discutida no Congresso Nacional.

Boulos anuncia grupo de trabalho com torcidas organizadas

Além das consequências da proibição das apostas, a reunião abordou questões relacionadas à segurança, à participação social e aos direitos dos torcedores.

O grupo de trabalho deverá ser constituído nas próximas semanas, sob coordenação da Secretaria-Geral da Presidência, com participação de representantes dos Ministérios do Esporte, da Justiça e da Cultura. As torcidas organizadas ficarão responsáveis por definir coletivamente seus representantes.

Durante o encontro, a Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) entregou uma carta destinada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solicitando maior participação dessas entidades na formulação de políticas públicas.

Entre as reivindicações estão a criação do Dia Nacional das Torcidas Organizadas e a revisão de dispositivos da Lei Geral do Esporte referentes à responsabilização coletiva por episódios de violência. As entidades defendem que as punições sejam individualizadas.

Segundo O Globo, Wildner Rocha, integrante da diretoria da Gaviões da Fiel (principal organizada do Corinthians), afirmou que as demandas abrangem diferentes áreas do governo, incluindo segurança, cultura e justiça. Ele também falou sobre a expectativa de estabelecer um canal permanente de diálogo entre as torcidas organizadas e o governo.


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