Casas de apostas que patrocinam equipes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro começaram a notificar os clubes sobre a possibilidade de rescindir contratos comerciais caso o Governo Federal avance com a proibição das apostas online por meio de uma medida provisória (MP).
Corinthians (Esportes da Sorte), São Paulo (Superbet) e Fluminense (Superbet) estão entre os times que receberam alertas, segundo apuração do Estadão.
De acordo com o jornal, os clubes foram informados sobre duas possibilidades em análise: uma restrição aos cassinos online ou uma proibição de todas as apostas de quota fixa no país.
No primeiro cenário, os contratos existentes poderiam ser renegociados. Caso toda a operação das casas de apostas seja proibida, as empresas ouvidas pelo Estadão consideram inevitável o encerramento dos acordos de patrocínio. Os operadores se apoiam em cláusulas contratuais e avaliam que a exposição das marcas perderia sentido se seus serviços deixassem de ser permitidos.
O impacto alcançaria alguns dos maiores acordos comerciais do futebol brasileiro. A Esportes da Sorte paga R$ 150 milhões anuais ao Corinthians. A Superbet prevê R$ 80 milhões ao São Paulo em 2026 e R$ 53 milhões ao Fluminense, valor que pode chegar a R$ 86 milhões.
Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A exibem marcas de casas de apostas no principal espaço de suas camisas. Considerando os contratos de 2025, as empresas do setor aportaram R$ 1,14 bilhão nos clubes, equivalente a 7,9% da receita conjunta das equipes naquele ano, segundo os dados apresentados pelo Estadão.
Entre os maiores contratos está o da Betano com o Flamengo, de R$ 268 milhões anuais. Ao Estadão, a operadora afirmou acompanhar o debate “com muita preocupação” e disse que tomará decisões no momento apropriado. A Sportingbet, patrocinadora de Palmeiras e Vasco, informou que aguardará o conteúdo da eventual medida para avaliar seus efeitos e possíveis providências.
Já a Betnacional, que patrocina o Cruzeiro, também afirmou que alterações significativas nas condições de operação podem afetar sua capacidade de investimento e, consequentemente, a sustentabilidade de contratos de publicidade e patrocínio.
Além da revisão dos acordos comerciais, empresas do setor já se preparam para uma possível disputa judicial. Fontes do setor disseram ao SBC Notícias Brasil que vão contestar a possível medida provisória na Justiça e no Congresso Nacional. Segundo o Estadão, os operadores até já contrataram um escritório de advocacia para atuar no tema.
Governo acelera plano de até R$ 20 bilhões para clubes com suspensão das apostas
Enquanto os clubes avaliam o possível impacto da perda dos patrocínios, o governo acelerou as discussões sobre um programa de reestruturação financeira do futebol. Segundo apuração do colunista Rodrigo Mattos, do UOL, governo e dirigentes negociam uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destinada a clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
A proposta, que já vinha sendo discutida, ganhou impulso diante da possibilidade de restrição ou proibição das apostas. Uma reunião com representantes do governo e dirigentes de futebol ocorreu há cerca de um mês. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também participa da articulação.
O projeto vem sendo chamado de Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional. Pela versão atualmente discutida, seria criada uma linha federal de crédito de até R$ 20 bilhões, com juros menores, para permitir que clubes substituam dívidas mais caras por financiamentos em condições mais favoráveis. A operação não significaria perdão das dívidas, mas a concessão de empréstimos.
De acordo com o UOL, os recursos viriam do superávit financeiro de 2025 e seriam concedidos por bancos habilitados, que assumiriam o risco das operações.
O dinheiro poderia ser destinado ao pagamento de dívidas trabalhistas e de direitos de imagem, débitos com a Receita Federal, o INSS e o FGTS, empréstimos bancários e obrigações cíveis, além de investimentos na infraestrutura das categorias de base. A proposta impediria o uso dos recursos para salários correntes, contratação de jogadores, despesas do dia a dia ou distribuição de lucros e dividendos a proprietários de SAFs.
O plano prevê prazo de até 20 anos para quitação, com dois anos de carência para o início dos pagamentos. Segundo o UOL, a proposta ainda não foi completamente formalizada e pode passar por ajustes.
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