Clubes brasileiros continuam protestos contra a proibição das apostas

Mãos unidas representam novos membros da ANJL
Créditos: Shutterstock

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) promoveram uma nova mobilização contra a proibição das apostas de quota fixa no Brasil durante a 31ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, realizada entre sexta-feira, 16, e esta segunda-feira, 19.

A campanha “Proibir não é proteger” ocupou placas de publicidade de dez partidas do Brasileirão e também os uniformes de clubes como São Paulo e Flamengo. A iniciativa chama a atenção para os impactos da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que determinou o encerramento das operações de apostas de quota fixa no país.

Além do manifesto, as placas exibiram mensagens relacionadas à campanha “Aposto que você não sabia”, iniciativa das entidades que divulga informações sobre o mercado de apostas brasileiro.

As placas de publicidade também exibiram outras frases, tais como “Proteção de verdade começa com regras”, “O Brasil proibiu e o mercado ilegal invadiu” e “Regulamentar é proteger”.

Flamengo estampa mensagem em seu uniforme mais uma vez

Flamengo protesta contra proibição das apostas online.
Crédito: Flamengo

A mobilização também chegou aos uniformes dos jogadores. No sábado, 17, o São Paulo exibiu a mensagem “Proibir não é proteger” durante a partida contra o Vasco da Gama, no Morumbi. A frase ocupou o espaço que pertencia à Superbet, patrocinadora máster do tricolor paulista.

No domingo, 18, o Flamengo também estampou o manifesto em sua camisa durante o confronto contra o Bahia. O clube carioca já havia utilizado o uniforme para protestar contra a proibição das apostas em outras duas oportunidades.

As ações integram uma mobilização nacional organizada pelo IBJR e pela ANJL, duas das maiores entidades que representam operadores de apostas anteriormente autorizados a atuar no mercado regulado brasileiro.

Entidades alertam para crescimento do mercado ilegal de apostas

Para Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR, a proibição das apostas não eliminou a demanda pela atividade, mas abriu espaço para operadores clandestinos, que não estão sujeitos aos mesmos mecanismos de fiscalização e proteção ao consumidor.

“A proibição não fez a procura por apostas desaparecer. A proibição abriu espaço para o mercado ilegal, retirou as proteções de quem aposta e enfraqueceu os mecanismos de monitoramento e combate à manipulação de resultados esportivos”, afirmou Lima.

Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, destacou a visibilidade do Campeonato Brasileiro como uma oportunidade de ampliar o debate sobre as consequências da MP. Segundo o executivo, a ausência de um mercado regulado deixa os consumidores expostos aos riscos associados a mais de 30 mil sites ilegais de apostas que continuam ativos no país.

O manifesto também aborda os impactos da proibição sobre os investimentos no esporte, a arrecadação destinada a políticas públicas e os instrumentos de combate à manipulação de resultados.

As duas associações reconhecem a necessidade de enfrentar o endividamento das famílias e o jogo compulsivo, mas defendem que essas questões sejam tratadas por meio do aperfeiçoamento da regulamentação, com medidas de proteção à saúde mental e fiscalização mais rigorosa.

O IBJR e a ANJL também reiteraram sua disposição de discutir com o Congresso Nacional e a sociedade civil possíveis mudanças no marco regulatório.

As apostas online foram proibidas em 25 de setembro e tanto o Congresso quanto o Supremo Tribunal Federal (STF) devem analisar a medida provisória após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo, 25.


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