Clubes da principal liga de futebol da Bélgica, a Jupiler Pro League, encontraram formas de contornar a nova legislação que limita o patrocínio de marcas de apostas como patrocinadoras principais.
A Kansspelcommissie (KSC), Comissão de Jogos da Bélgica, introduziu este mês regras mais rígidas para o setor, determinando que os clubes só podem firmar parcerias com entidades que não operem diretamente plataformas de apostas, mas que ainda promovam essas marcas de forma indireta.
Exemplos permitidos incluem fundações, grupos de torcedores, aplicativos, sites de informações esportivas e plataformas de transmissão on-line. Além disso, os logotipos de operadores de apostas não podem aparecer na frente dos uniformes e devem ter no máximo 75 cm².
Criatividade para contornar as regras
Apesar das novas restrições, os clubes têm encontrado maneiras criativas de se adequar às normas. O Club Brugge, por exemplo, possui um contrato de patrocínio com a Unibet, mas exibe a marca U-Expert na frente de suas camisas. U-Expert é um aplicativo de notícias esportivas criado pela Unibet, que inclui links diretos para a plataforma de apostas.
Outros clubes adotaram estratégias semelhantes, como o Charleroi que também utiliza a marca U-Expert em seus uniformes. O Standard Liège promove o logotipo da Circus Daily, site que redireciona os usuários à plataforma de apostas Circus. O Antwerp exibe a marca AntwerpFirst, uma fundação apoiada pela BetFirst. O Cercle Brugge aposta na Golden Palace News, um site de notícias vinculado a uma plataforma de apostas.
A KSC já abriu uma investigação para verificar a legalidade dessas práticas e garantir que estejam em conformidade com as novas normas.
Uma lição para a Premier League?
A Premier League também enfrenta mudanças semelhantes. A partir da temporada 2026/27, estará proibida a exibição de marcas de apostas na parte frontal das camisas dos times. No entanto, os logotipos ainda poderão ser exibidos nas mangas, em uniformes de treino e outros locais.
Quando a decisão foi anunciada em dezembro, os clubes belgas protestaram, destacando a possibilidade de queda nas receitas. Globalmente, a indústria de apostas é conhecida por pagar mais em contratos de patrocínio do que outros setores, argumento que também tem sido usado pelos clubes da Premier League.
Por outro lado, a KSC e a Premier League justificam as mudanças com base em preocupações crescentes de torcedores e organizações sobre a predominância de propagandas de apostas no esporte.
O impacto das propagandas de apostas no futebol e no Brasil
Um relatório da Universidade de Bristol, divulgado em setembro, revelou o aumento no volume de publicidade de apostas direcionada aos fãs de futebol em múltiplas plataformas, como TV, rádio e redes sociais. Durante um único fim de semana, quase 30 mil mensagens relacionadas a apostas foram registradas (29.145), quase três vezes mais do que as 10.999 mensagens registradas no mesmo período do ano anterior.
O aumento pode estar relacionado à corrida dos clubes para fechar contratos antes que as novas restrições entrassem em vigor. Porém, essa pressa também levou algumas equipes a firmar parcerias com empresas questionáveis. Um exemplo é o Leicester, cujo principal patrocinador, a BC.GAME, uma casa de apostas on-line, perdeu sua licença em novembro.
Com as novas regras e investigações em andamento, o cenário do patrocínio esportivo está se transformando rapidamente, destacando o crescente desafio de equilibrar a sustentabilidade financeira dos clubes com a regulamentação ética da publicidade.
No Brasil, já foi falado sobre proibir a logo de casas de apostas nas camisas dos times, mas sem mais desdobramentos. Com a aproximação dos campeonatos nacionais como o Brasileirão, ou continentais, como a Libertadores, times podem olhar para exemplos de fora, a fim de buscar soluções caso mudanças sobre patrocínios venham a acometer o país.







