Nesta quarta-feira, 30, foi determinado que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), chamada CPI das Bets, terá seu funcionamento prorrogado em 45 dias, conforme decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).
A solicitação partiu do presidente da CPI, senador Dr. Hiran (PP-RR), e foi formalizada a tempo de evitar o encerramento das atividades da comissão, que estava previsto para o mesmo dia.
Embora a relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), tenha pleiteado uma prorrogação de 130 dias, o entendimento entre as lideranças do Senado foi por um prazo menor. Soraya argumentou que os trabalhos da CPI foram interrompidos por mais de dois meses no início do ano, o que teria comprometido o avanço das investigações.
Com o novo prazo, a expectativa é de que o colegiado intensifique oitivas, quebras de sigilo e análise de documentos que estão em andamento.
Prisão em flagrante na CPI das Bets
Durante a sessão da última terça-feira, 29, a CPI das Bets contou com a prisão em flagrante do empresário Daniel Pardim Tavares Lima, sócio da empresa Peach Blossom River Technology. Ele foi detido sob acusação de falso testemunho, após negar informações consideradas comprovadas pelos senadores, como a relação com Adélia de Jesus Soares, sua sócia na empresa. O pedido de prisão foi feito pela senadora Thronicke.
A senadora afirmou que Pardim mentiu repetidamente durante o depoimento, omitindo vínculos com a sócia e com a empresa Payflow, investigada por lavagem de dinheiro e operações suspeitas no setor de pagamentos digitais. Segundo Thronicke, há provas de que a Peach Blossom tem ligação direta com a Payflow, responsável por prestar serviços a plataformas de apostas investigadas.
“Ninguém abre sociedade com quem não conhece”, afirmou Thronicke, defendendo a prisão como resposta à tentativa de obstrução dos trabalhos da comissão.
A tensão aumentou ainda mais quando os advogados de Pardim tentaram interromper a sessão, acusando a CPI de abuso de autoridade e de forçar o depoimento de um investigado que teria o direito constitucional de permanecer em silêncio. Após uma discussão acalorada, os defensores foram retirados da sala.
Durante a audiência, os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF) levantaram suspeitas de que Pardim seja um “laranja”.
A legalidade da prisão do empresário será questionada judicialmente.












