O Esportes da Sorte notificou o Corinthians sobre a intenção de rescindir o contrato de patrocínio máster, que está suspenso desde a proibição das apostas de quota fixa no Brasil. A marca do Grupo Esportes Gaming Brasil pretende encerrar o vínculo sem pagar multa rescisória, mas o clube discorda e defende que o acordo permaneça suspenso até uma definição sobre a Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026.
A informação foi divulgada inicialmente pelos jornalistas Fábio Lázaro e Danilo Lavieri, do UOL, na quinta-feira, 29, e confirmada pelo Globo Esporte.
Segundo o UOL, a notificação foi encaminhada na segunda-feira, 26. O Esportes da Sorte argumenta que a proibição de operar e divulgar apostas esportivas no país impede o cumprimento das obrigações previstas no contrato, o que justificaria seu encerramento sem penalidades financeiras.
O Corinthians, por outro lado, entende que a mudança regulatória não autoriza automaticamente a rescisão. De acordo com o Globo Esporte, a diretoria considera que a empresa deverá pagar uma multa caso insista no rompimento contratual. Os departamentos jurídicos das duas partes estão negociando uma solução para o impasse.
Contrato do Corinthians com Esportes da Sorte prevê até R$ 200 milhões por ano
A parceria entre Corinthians e Esportes da Sorte foi renovada em fevereiro de 2026, com validade até dezembro de 2029. O contrato estabelece um pagamento fixo de R$ 150 milhões anuais, com possibilidade de alcançar R$ 200 milhões mediante o cumprimento de metas, incluindo conquistas esportivas.
O novo acordo havia ampliado os valores da parceria iniciada em 2024, cujo contrato anterior previa R$ 309 milhões distribuídos ao longo de três anos. A renovação também concedeu ao clube maior liberdade sobre a utilização dos recursos recebidos.
Com a entrada em vigor das restrições impostas pela MP nº 1.394/2026, o Esportes da Sorte suspendeu suas ações publicitárias relacionadas ao Corinthians. Desde então, o clube passou a buscar alternativas comerciais para ocupar o espaço principal de seu uniforme.
O Corinthians chegou a exibir a marca da empresa de inteligência artificial Jota durante uma partida e, posteriormente, firmou um acordo com a plataforma de comércio eletrônico Shopee, válido até o fim de 2026. Outros clubes, como o Santos e Grêmio, também buscaram alternativas.
Segundo o economista Cesar Grafietti, a proibição pode custar uma redução de 23% nas receitas do Corinthians, que diminuíram de R$ 879,4 milhões para R$ 681,4 milhões.
Proibição das apostas será discutida no STF

A tentativa de rescisão acontece em meio às incertezas sobre o futuro do mercado regulado de apostas brasileiro. A MP nº 1.394/2026 proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no território nacional, afetando diretamente os contratos de patrocínio esportivo.
Apesar de produzir efeitos imediatos, a medida ainda depende de análise do Congresso Nacional e pode perder sua eficácia caso não seja aprovada dentro do prazo constitucional de até 120 dias. Esse caráter provisório é um dos argumentos considerados pelo Corinthians para defender a manutenção da suspensão contratual.
O assunto também será discutido no Supremo Tribunal Federal (STF), que realizará uma audiência pública na próxima terça-feira, 3, a partir das 10h, sob a condução do ministro Luiz Fux. O Corinthians está entre os clubes convidados a participar do encontro, que reunirá representantes do governo, do setor de apostas e de entidades esportivas.
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