O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, não participará da audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir os impactos da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil.
A entidade máxima do futebol brasileiro será representada por um advogado no encontro, marcado para terça-feira, 3 de novembro, às 10h.
A informação foi divulgada em primeira mão pelo repórter especializado Diogo Dantas, do jornal O Globo. A ausência de Xaud ocorre em meio à mobilização de clubes de futebol para tentar reverter a proibição das apostas ou negociar um prazo de transição mais amplo para o encerramento dos contratos de patrocínio.
Segundo O Globo, a decisão de Xaud de não comparecer pessoalmente já era esperada pelos clubes. O dirigente enfrenta um momento de desgaste político após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 25, uma vez que havia se alinhado a Flávio Bolsonaro (PL) durante o período eleitoral.
Xaud também se posicionou contra uma reunião convocada pelo Ministério do Esporte (MEsp) para discutir os efeitos da proibição das apostas sobre o futebol brasileiro. O encontro acabou cancelado diante da baixa adesão dos clubes.
De acordo com a reportagem de Dantas, interlocutores avaliam que o resultado das eleições dificultou os planos de Xaud de ampliar sua autonomia na CBF, especialmente diante da influência de um grupo de dirigentes de Brasília ligado a Francisco Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes e vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol.
Clubes querem mais prazo para encerramento dos patrocínios de casas de apostas

Enquanto a CBF enviará um representante jurídico, os clubes de futebol pretendem utilizar a audiência para contestar os efeitos econômicos da MP nº 1.394/2026.
A principal preocupação está relacionada aos contratos de patrocínio firmados com operadores de apostas. Os clubes argumentam que a interrupção abrupta das parcerias compromete receitas previstas em seus orçamentos e dificulta a reorganização financeira das equipes. Somente na Série A do Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 clubes tinham um contrato de patrocínio máster com casas de apostas.
Parte dos clubes espera que a reeleição de Lula abra espaço para uma revisão da medida provisória, considerando os prejuízos financeiros enfrentados pelo futebol brasileiro. Segundo o economista Cesar Grafietti, a proibição vai custar R$ 695,5 milhões somente ao Flamengo, Corinthians e Palmeiras, que haviam assinado contratos com Betano, Esportes da Sorte e Sportingbet, respectivamente.
Ao todo, dez clubes foram convocados por Fux para participar da audiência: Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa.
Audiência do STF terá 28 participantes
Nesta semana, Fux ampliou de 26 para 28 o número de participantes para a audiência pública. O ministro incluiu o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Ministério do Esporte, que foram diretamente afetados pela interrupção das receitas provenientes do mercado regulamentado de apostas.
Os clubes, a CBF e o COB serão ouvidos durante a manhã. No período da tarde, será a vez de representantes do Governo Federal, de associações do setor e de outras instituições apresentarem seus argumentos. Cada participante terá até dez minutos para sua exposição.
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