Estudo da Anbima identifica quatro perfis de apostadores online no Brasil

Pessoas fazendo análise qualitativa.
Crédito: Shutterstock

Uma pesquisa qualitativa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), entidade de representação e autorregulação do mercado financeiro, identificou quatro perfis de pessoas que apostam online no Brasil e apontou diferenças relevantes na relação com o jogo conforme renda, gênero e contexto social.

O relatório “Aposta online no Brasil: um estudo sobre perfis de uso, jornadas e padrões de comportamento” foi elaborado em parceria com a Kyvo e teve como objetivo compreender as motivações, comportamentos financeiros e aspectos emocionais associados às apostas. O trabalho incluiu 60 entrevistas em profundidade, além de grupos de discussão, análise de plataformas e monitoramento de redes sociais.

A Anbima já havia identificado, por meio do estudo “Raio X do Investidor Brasileiro”, que as apostas passaram a ocupar espaço relevante na vida financeira da população. Segundo o relatório, 17% das pessoas fizeram algum tipo de aposta online em 2025, o equivalente a 28 milhões de brasileiros, e quase 3 milhões consideravam a prática uma forma de investimento.

Anbima divide apostadores em quatro perfis

Logo da ANBIMA.
Crédito: Anbima

A partir das entrevistas, os pesquisadores criaram quatro “tipos ideais”, que não representam categorias fixas. Uma mesma pessoa pode transitar entre eles conforme mudanças de renda, trabalho, ganhos, perdas e circunstâncias pessoais.

O Adepto da Fortuna aparece principalmente em cenários de maior vulnerabilidade social e vê a aposta como uma possibilidade de transformação diante de poucas perspectivas financeiras. Nesse perfil, a sorte ocupa papel central e há maior presença de jogos de cassino online.

Já o Matador de Leões recorre às apostas como possível resposta a necessidades financeiras imediatas. Segundo a pesquisa, é um perfil marcado por renda instável e pela dificuldade de fazer planos de curto ou médio prazo.

O Expert da Realidade tenta transformar as apostas em uma fonte complementar de renda. Os integrantes desse grupo tendem a estudar partidas, acompanhar influenciadores, estabelecer métodos e empregar uma linguagem técnica. O perfil apareceu principalmente entre homens jovens da classe C e nas apostas esportivas.

Por fim, o Caçador de Emoções trata a aposta como entretenimento. Mais frequente entre homens das classes A e B, esse perfil costuma separar um orçamento para lazer e utilizar as apostas esportivas para aumentar a emoção ao acompanhar competições.

Renda e gênero influenciam relação com apostas

Uma das conclusões do estudo é que a situação econômica altera significativamente o significado atribuído à aposta. Entre entrevistados das classes C, D e E, o orçamento mais apertado faz com que o jogo possa aparecer como tentativa de multiplicar recursos diante de necessidades imediatas.

Já entre participantes das classes A e B, por outro lado, foram mais comuns relatos de investimentos tradicionais e maior familiaridade com produtos financeiros.

A pesquisa também identificou diferenças de gênero. Entre as mulheres entrevistadas, especialmente nas classes C, D e E, as apostas foram relatadas de maneira mais silenciosa e associadas à culpa, à ansiedade, ao escape ou às necessidades familiares.

Entre os homens, apareceram com maior frequência discursos ligados ao conhecimento técnico, à estratégia e ao controle. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que essa diferença está também na forma como a prática é narrada, e não necessariamente apenas na frequência do jogo.

Estudo aponta influência de plataformas e redes sociais

Segundo a Anbima, recursos como notificações, estímulos visuais, bônus temporários, animações e facilidade para realizar novas apostas contribuem para manter o engajamento dos usuários. O relatório também destaca o papel de influenciadores e grupos online na apresentação de estratégias e na construção de confiança entre os apostadores.

O levantamento aponta que abandonar as apostas não significa, necessariamente, romper completamente com as plataformas. Alguns entrevistados que se definem como ex-jogadores continuam acessando aplicativos, usando bônus ou saldos remanescentes, mas consideram ter deixado a prática por não depositarem mais dinheiro próprio.

Para a Anbima, compreender essas diferentes trajetórias pode ajudar na elaboração de ações de educação financeira, campanhas de conscientização e políticas mais adaptadas aos públicos que apostam. A entidade pretende utilizar os resultados para desenvolver iniciativas relacionadas aos desafios das apostas no país.


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