Rio de Janeiro inclui protocolo para identificação de vício em apostas nas consultas da Atenção Primária

Vista do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro
Crédito: Shutterstock

O Rio de Janeiro passou a incluir análises sobre o comportamento dos cidadãos em relação às apostas online nas consultas de rotina da Atenção Primária à Saúde (APS), porta de entrada do sistema público de saúde e que reúne unidades como as Clínicas da Família e os Centros Municipais de Saúde (CMS). A iniciativa busca identificar possíveis sinais de problemas relacionados às apostas, seguindo modelos semelhantes aos utilizados para detectar condições como depressão e tabagismo.

O protocolo de identificação de possíveis casos de ludopatia foi adotado em agosto pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ampliando o atendimento para os familiares dos apostadores que enfrentam problemas associados à atividade.

Segundo O Globo, 3.070 pacientes responderam ao questionário na primeira semana. Do total, 22 (0,72%) afirmaram sentir necessidade de apostar, enquanto 15 (0,49%) disseram ter mentido a familiares para esconder quanto haviam apostado.

“Normalmente as pessoas não chegam às unidades pela porta principal para buscar tratamentos relacionados a vícios em jogos. Não é uma questão tão fácil de tratar, até porque geralmente há uma questão de ansiedade, insônia, depressão e outras doenças atreladas a esse vício. Estamos tentando tratar de forma precoce”, disse Rodrigo Prado, secretário de Saúde do Rio.

Após a identificação da condição patológica, o usuário deve ser avaliado clinicamente para receber plano terapêutico alinhado ao grau de risco observado. O suporte varia entre orientações e acompanhamento especializado por profissionais. O atendimento também foi ampliado a familiares, que podem receber apoio mesmo quando o apostador ainda não busca atendimento por conta própria.

Outros dados relevantes

Para atender esta demanda demanda, agentes comunitários de saúde e outros profissionais das unidades foram treinados e capacitados pelo Ministério da Saúde para saberem lidar com o problema.

O novo protocolo foi inserido após o Núcleo de Inteligência Assistencial da SMS (NIA) identificar mais de 1.300 pessoas com relatos de situações que sugeriam dependência em apostas online.

O portal destacou, ainda, que o perfil dos apostadores era majoritariamente masculino, com idade média de 37 anos. Os familiares mais afetados eram mulheres com idade média de 45 anos. Além disso, menores de idade integraram o grupo, destacando a atuação do mercado ilegal diante desses casos.

A ampliação das medidas de prevenção e atendimento relacionadas à ludopatia ocorre também em outras regiões do país. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de Belo Horizonte (MG), adotaram iniciativas voltadas à identificação e ao enfrentamento de problemas associados às apostas. No âmbito federal, o Ministério da Saúde também ampliou a oferta de atendimento pelo SUS, incluindo até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas e seus familiares.


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