FIFA e Group of Copenhagen divergem sobre alertas de apostas na Copa do Mundo

Placa azulcom o logotipo da FIFA, entidade máxima do futebol, na sede em Zurique, Suíça.
Crédito: Shutterstock

A FIFA e o Group of Copenhagen apresentaram conclusões divergentes sobre possíveis irregularidades relacionadas às apostas durante a Copa do Mundo de 2026. Enquanto a entidade máxima do futebol afirmou não ter identificado qualquer indício de manipulação, o órgão internacional registrou sete alertas ao longo da competição.

As informações foram publicadas pelo The Athletic, veículo especializado em esportes, que teve acesso a detalhes das conclusões do Group of Copenhagen, órgão independente voltado à detecção e prevenção da manipulação de competições esportivas. O relatório completo ainda não foi divulgado, mas um resumo foi publicado pelo Council of Europe.

Os sete registros foram classificados como “alertas amarelos”, nível que representa uma elevação moderada de atenção. A categoria não significa que houve manipulação, mas indica a presença de fatores como movimentações atípicas nas odds, informações recebidas por fontes ou rumores divulgados nas redes sociais.

Segundo fontes ouvidas pelo The Athletic, uma das situações analisadas foi o cartão vermelho recebido por Themba Zwane, da África do Sul, aos 84 minutos da partida de abertura contra o México, em 11 de junho.

Outro episódio envolveu US$ 4,8 milhões movimentados na Polymarket em contratos para a Espanha não derrotar Cabo Verde. A partida terminou empatada sem gols. O órgão também avaliou a demora de aproximadamente três minutos e meio para que o VAR anulasse um gol de Ferran Torres na vitória espanhola por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita.

O caso que gerou maior questionamento, no entanto, envolveu o atacante norte-americano Folarin Balogun. Após o jogador ser expulso contra a Bósnia e Herzegovina, a Polymarket abriu um mercado sobre sua participação na partida seguinte, diante da Bélgica.

O Comitê Disciplinar da FIFA suspendeu a punição posteriormente, após um pedido de Donald Trump, e Balogun pôde atuar normalmente contra a Bélgica nas oitavas de final. De acordo com as informações obtidas pelo The Athletic, não foram criados mercados semelhantes para os outros 14 atletas expulsos no torneio, todos eles obrigados a cumprir suspensão.

O Group of Copenhagen enviou um pedido formal para que a FIFA apresente explicações por escrito sobre o episódio.

FIFA mantém conclusão de força-tarefa

Jornais britânicos criticam decisão da FIFA de remover suspensão de Balogun durante a Copa do Mundo de 2026.
A decisão da FIFA de revogar a suspensão de Balogun foi criticada no mundo todo. Crédito: Shutterstock

Procurada pelo The Athletic, a FIFA reafirmou as conclusões de sua força-tarefa de Integridade, formada por diferentes organizações e especialistas independentes.

A entidade informou que relatórios de monitoramento, dados de apostas e informações recebidas por canais de denúncia foram compartilhados e avaliados pelos integrantes do grupo. Segundo a FIFA, a força-tarefa não encontrou nenhuma atividade suspeita de apostas ou indício de manipulação nas 104 partidas disputadas.

O Group of Copenhagen participou da operação em coordenação com a força-tarefa da própria FIFA. A rede funciona no âmbito da Convenção de Macolin, tratado internacional do Council of Europe dedicado ao combate à manipulação esportiva.

Um especialista consultado pelo The Athletic ressaltou que comportamentos incomuns nos mercados não representam necessariamente fraude. Mudanças nas odds, por exemplo, podem estar ligadas a operações de proteção realizadas por casas de apostas para reduzir riscos financeiros.

Mercados de previsão entram no radar

A Copa de 2026 marcou a primeira vez que o Group of Copenhagen monitorou continuamente mercados de previsão, incluindo Polymarket e Kalshi, as duas plataformas de mercado preditivo mais populares dos Estados Unidos.

O órgão estima que cerca de US$ 240 bilhões tenham sido apostados durante o torneio, aproximadamente o dobro do volume calculado para a Copa de 2022, realizada no Catar.

Para o Group of Copenhagen, os mercados de previsão criam desafios inéditos por permitirem operações sobre uma ampla variedade de acontecimentos, em alguns casos de forma anônima e por meio de pagamentos difíceis de rastrear.


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