IBJR comenta campanha Block no Tigrinho: “Deveria ser direcionada às bets clandestinas”

Um tigre rugindo
Crédito: Shutterstock

Nesta sexta-feira, 5, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) manifestou-se oficialmente sobre a campanha Block no Tigrinho, iniciativa voltada ao combate às apostas online no Brasil. 

Em posicionamento direcionado ao mercado, a entidade defendeu que a ação deve priorizar o enfrentamento às plataformas clandestinas, evitando penalizar o setor que atua de forma regulada.

No documento enviado à imprensa, o instituto argumentou que a generalização das críticas prejudica o desenvolvimento de uma indústria legalizada e segura. A entidade também reforçou a necessidade de separar empresas integradas às regras de conformidade daquelas que operam à margem da lei.

Detalhes da campanha

A campanha em questão foi lançada recentemente pela 342 Artes sob o conceito “de que lado da influência você está?”. O movimento busca alertar a sociedade sobre os riscos associados ao vício em jogos e convida usuários e criadores de conteúdo a compartilharem a ação nas redes sociais. 

Até a publicação desta reportagem, o perfil oficial do Block no Tigrinho já acumulava quase 65 mil seguidores. A página tem compartilhado dados sensíveis sobre o setor, apontando, por exemplo, a existência de 12,8 milhões de brasileiros em situação de risco relacionado a apostas, e conta com o apoio público de influenciadores e artistas, como Anitta e Caetano Veloso.

Campanha Block no Tigrinho. Crédito: Block no Tigrinho.

Nota oficial do IBJR

Leia, a seguir, o posicionamento do IBJR na íntegra:

“O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acompanha a mobilização de artistas e da sociedade no movimento ‘Block no Tigrinho’ e considera que a campanha deveria concentrar seus esforços no combate às plataformas clandestinas, onde estão os maiores riscos para os consumidores e a principal fonte de financiamento de organizações criminosas. Quem pretende combater o jogo predatório no Brasil deveria direcionar suas críticas e esforços às operações ilegais, e não às empresas fiscalizadas e autorizadas pelo Governo Federal.

Os organizadores afirmam buscar mecanismos para combater o chamado “jogo predatório” no Brasil. Esse fenômeno ocorre justamente no mercado ilegal, formado por operadores que atuam à margem da regulamentação, sem controles, sem fiscalização e sem qualquer compromisso com a proteção dos consumidores.

As operadoras autorizadas pelo Governo Federal, identificadas pelo domínio .bet.br, estão sujeitas a rígidas exigências regulatórias. Entre elas estão a proibição de pagamentos por cartão de crédito e criptomoedas, processos obrigatórios de identificação e reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, limites de tempo de jogo, controle de depósitos e mecanismos de prevenção ao jogo problemático. A regulamentação é hoje o principal instrumento de proteção da saúde financeira e mental dos apostadores brasileiros.

Enquanto isso, as plataformas clandestinas movimentam aproximadamente R$ 40 bilhões por ano fora do alcance das autoridades e geram perdas estimadas em R$ 10,8 bilhões anuais aos cofres públicos, segundo levantamento do Instituto Locomotiva e da LCA Consultoria. Em contraste, apenas em 2025 o mercado regulado contribuiu com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais, beneficiando áreas como esporte, turismo, segurança pública e educação.

Em relação à publicidade, o IBJR ressalta que as restrições devem ser direcionadas ao mercado ilegal. São justamente as plataformas clandestinas que utilizam influenciadores e canais digitais sem qualquer controle para atrair consumidores, muitas vezes sem informar riscos ou oferecer mecanismos de proteção. A comunicação das empresas autorizadas segue regras específicas e cumpre papel importante ao permitir que o consumidor identifique operadores licenciados e diferenciá-los daqueles que atuam ilegalmente.

Restrições excessivas à publicidade das empresas reguladas tendem a produzir efeito contrário ao desejado: enfraquecem os operadores autorizados e ampliam a visibilidade de plataformas clandestinas que não seguem regras, não pagam tributos e não oferecem qualquer garantia ao apostador.

O IBJR permanece à disposição dos organizadores do movimento para contribuir tecnicamente com o debate e esclarecer informações que possam gerar confusão entre mercado regulado e mercado ilegal. O Instituto reafirma seu compromisso com um ambiente de apostas seguro, transparente, responsável e alinhado às melhores práticas internacionais de proteção ao consumidor”.

Banner/logo do IBJR.
Crédito: IBJR.

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