A entrada no mercado brasileiro, a Copa do Mundo de 2026 e os desafios relacionados ao combate ao setor ilegal de apostas foram alguns dos temas abordados pelo SBC Notícias Brasil em entrevista com Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Betano no Brasil.
Marca da Kaizen Gaming, a Betano foi a primeira operadora a solicitar a licença federal à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). A autorização consolidou a atuação da empresa no país e ampliou a presença do grupo em um de seus mercados estratégicos. Atualmente, a Betano detém os naming rights do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) e da Copa do Brasil, os dois maiores torneios de futebol masculino do país.
Durante a conversa, Figueiredo explicou os fatores que levaram a Kaizen Gaming a adotar postura proativa em relação ao Brasil e analisou o desempenho do setor desde o início da regulamentação.
A entrevista também abordou os impactos da eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 e as iniciativas adotadas pela operadora para reforçar as práticas de jogo responsável em períodos de maior engajamento e aquisição de usuários, como durante o Mundial.
SBC Notícias Brasil: A Betano foi a primeira operadora a solicitar licença para atuar legalmente no mercado brasileiro. O que motivou a Kaizen Gaming a adotar uma postura tão proativa em relação ao processo regulatório no Brasil?
Guilherme Figueiredo: A segurança jurídica e a integridade são a base do modelo de negócios da Kaizen Gaming. Hoje, nós operamos em 20 mercados, sendo todos já regulados ou em processo de regulação. Quando chegamos no Brasil, sabíamos do potencial gigantesco do país para a marca e para o setor, e dada a já expressividade da Kaizen Gaming no mundo, ser a primeira operadora a concluir o processo e pleitear a licença foi um passo natural para nós. Queríamos liderar pelo exemplo e mostrar ao governo, ao mercado e à sociedade que era possível que as plataformas operassem com regras claras, conformidade fiscal e integridade financeira.
Em decorrência desse pioneirismo, outro ponto positivo é que tivemos a oportunidade de atuar em conjunto com as autoridades para combater o mercado ilegal e oferecer uma experiência mais segura e confiável para os nossos consumidores, premissas fundamentais do nosso negócio.
SBC Notícias Brasil: Como a Betano avalia o desempenho do mercado regulado brasileiro até o momento? O que ainda precisa evoluir para que o Brasil alcance o nível de maturidade observado em mercados mais consolidados?
Guilherme Figueiredo: Costumo dizer que o Brasil construiu a melhor legislação do mundo sobre o setor, com regras robustas e modernas, e temos muito a comemorar neste sentido. Hoje em dia, temos regras claras de operação e tributação, que favorecem empresas sérias a operarem no mercado.
A exigência de reconhecimento facial obrigatório na abertura de contas, por exemplo, é uma ferramenta essencial que não existe em nenhum outro mercado onde operamos. Ela eliminou fraudes de identidade e principalmente barrou o acesso de menores de idade às plataformas legais, além de permitir ao regulador a possibilidade de bloquear o acesso de grupos específicos como, por exemplo, beneficiários do Bolsa Família.
Como desafio, precisamos seguir combatendo o mercado ilegal, e neste sentido contamos com os esforços da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Além disso, ainda precisamos fortalecer a cultura do jogo responsável no país, conscientizando a população de que as apostas devem ser entretenimento e nunca fonte de renda.
Do ponto de vista da publicidade, acreditamos que ela é fundamental para que a população saiba diferenciar as operadoras legais das ilegais. A consolidação de regras claras para as mensagens que serão veiculadas é parte do amadurecimento do setor.
SBC Notícias Brasil: Quais são as perspectivas da Betano para os próximos anos no Brasil em termos de crescimento, investimentos e desenvolvimento de novos produtos e tecnologias para os usuários?
Guilherme Figueiredo: Nosso foco é a evolução contínua da experiência do usuário, o fortalecimento do nosso ecossistema de patrocínios e a expansão do compromisso com o jogo responsável, visando sempre a liderança ética do mercado.
SBC Notícias Brasil: A Copa do Mundo costuma ser um dos maiores impulsionadores do setor de apostas esportivas. A Betano atingiu as expectativas que tinha para o torneio em relação ao volume de apostas, à aquisição de clientes e ao engajamento dos usuários?
Guilherme Figueiredo: Especialmente no Brasil, a Copa do Mundo impulsiona um grande aumento no interesse pelo esporte e pela indústria de apostas. O que torna o torneio único é o fato de ele atrair um público muito mais amplo, gerando tanto um crescimento de curto prazo quanto uma oportunidade de longo prazo para apresentar novos clientes a uma experiência de entretenimento segura e regulamentada.

SBC Notícias Brasil: Grandes eventos esportivos costumam atrair pessoas que nunca tiveram contato com apostas. Como a Betano reforçou práticas de jogo responsável durante o Mundial?
Guilherme Figueiredo: Fomos a primeira operadora regulada do país e pioneira em tratar o jogo responsável de forma aberta, e esta é uma bandeira muito importante para nós.
O jogo responsável é particularmente importante durante grandes torneios, quando muitos novos usuários entram no mercado de apostas. Como já faz parte do nosso compromisso enquanto marca, seguiremos promovendo ativamente o jogo responsável por meio de iniciativas educativas, entre elas a campanha de conscientização “Não Mete o Loco”.
É importante também acrescentar que foi obrigatória para todos os novos clientes que criaram contas na Betano no período da Copa do Mundo a definição de limites de tempo e dinheiro que podem ser gastos na plataforma, uma das formas de proteção dos nossos clientes.
SBC Notícias Brasil: O que representou para a Betano ter sido a patrocinadora oficial da FIFA para a Copa do Mundo de 2026 na Europa e na América do Sul? Como essa parceria se encaixou na estratégia global da marca?
Guilherme Figueiredo: Ser apoiador oficial da Copa do Mundo de 2026 para a Europa e a América do Sul é uma conquista enorme e chancela para nós a robustez e a credibilidade global que a marca alcançou no cenário internacional. Esse apoio nos colocou, novamente, em um portfólio de elite de marcas globais, garantindo visibilidade e conexões relevantes com o público em mercados prioritários.
Como estratégia, essa parceria funcionou como uma ponte para a consistência e consolidação da marca nos 20 países onde operamos. Ela também amarrou nossa atuação local com competições de grande prestígio, facilitando o intercâmbio de experiências e provando que a Betano é uma operadora madura, confiável e totalmente integrada ao ecossistema do esporte mundial.
SBC Notícias Brasil: Com a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, quais foram os principais impactos para a Betano? Houve mudanças no comportamento dos usuários, no volume de apostas, nas estratégias de marketing, na aquisição e retenção de clientes ou em outros indicadores relevantes?
Guilherme Figueiredo: O apoio à Copa do Mundo é um patrocínio global da competição mais importante do ano, portanto seguimos com a mesma estratégia. Com a eliminação do Brasil, houve uma diminuição da audiência das TVs e dos streamings e uma consequente redução na plataforma.
Entretanto, com o andamento do Mundial com grandes seleções e craques em campo, bem como a volta do Brasileirão Betano ainda em julho, observamos uma normalização do fluxo rapidamente.
SBC Notícias Brasil: Mesmo após a regulamentação, o mercado ilegal continua representando um desafio para a indústria. Como a Betano tem contribuído para o combate às operações clandestinas no Brasil?
Guilherme Figueiredo: O combate ao mercado ilegal e a garantia da integridade do setor são pilares centrais da atuação da Betano. Trabalhamos em conjunto, com base no esclarecimento técnico, com o Executivo, Legislativo e Banco Central, compartilhando informações sobre movimentações suspeitas e dados relevantes do setor para a tomada de decisão dos atores públicos.
Para garantir a proteção do consumidor, também mapeamos e denunciamos o uso indevido de nossa marca por sites de golpes clandestinos ou influenciadores não autorizados.
SBC Notícias Brasil: Quais são os principais riscos enfrentados pelos consumidores que utilizam plataformas não autorizadas, especialmente em períodos de grande movimentação, como a Copa do Mundo?
Guilherme Figueiredo: O mercado ilegal representa um grande risco ao consumidor, especialmente em momentos de grandes competições e comoção, como a Copa do Mundo. As plataformas clandestinas atuam sem proteção ao consumidor, sem garantias de pagamento de prêmio, transparência ou políticas de jogo responsável.
Além disso, elas não garantem a proteção dos dados dos consumidores e não atuam em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), deixando seus usuários vulneráveis a golpes e fraudes. Por isso, defendemos que a prioridade deve ser combater as plataformas ilegais e garantir um mercado regulado e forte, comprometido com a segurança e jogo responsável.
SBC Notícias Brasil: Na visão da Betano, quais medidas o governo e o setor privado deveriam priorizar para reduzir a participação do mercado ilegal no Brasil? Com base na experiência da Kaizen Gaming em outros mercados regulados, existem boas práticas ou iniciativas internacionais que poderiam ser adotadas no país para fortalecer esse combate?
Guilherme Figueiredo: Observando a regulação brasileira e o trabalho contínuo de cooperação entre as plataformas e os órgãos competentes, temos uma base robusta para o combate ao mercado ilegal. Esse movimento já vem acontecendo e tem gerado bons frutos, como a operação recente da Secretaria de Prêmios e Apostas, que retirou do ar mais de 39 mil sites irregulares e 700 contas bancárias ligadas aos sites não regulamentados. Precisamos intensificar esses esforços e seguir nesta direção, que tem se mostrado acertada.
Como referências de outros países, temos dois exemplos bem distintos sobre o que deu e o que não deu certo, que podem servir de inspiração para o Brasil. Um estudo do Instituto Esfera mostrou que, na Bélgica, foram impostas restrições severas ao mercado regulado, como limites baixos de depósitos e proibição de publicidade, a partir de 2020. O mercado regulado desabou no país de 85% para 19% em quatro anos, empurrando quase toda a população para o mercado ilegal não monitorado. Já no Reino Unido, com uma tributação moderada, houve espaço para o mercado regulado florescer, e hoje as operadoras ilegais representam somente 3% do mercado.
Esses são exemplos que o Brasil pode se inspirar, e que revelam que fortalecer o mercado regulado é o caminho para uma experiência segura e transparente para o consumidor.
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