68% dos brasileiros defendem proibição de patrocínio de apostas no futebol, segundo pesquisa Ipsos-Ipec

Homem assistindo futebol na TV enquanto faz apostas em seu smartphone.
Crédito: Shutterstock

Mais de dois terços dos brasileiros consideram que o patrocínio de casas de apostas a clubes de futebol deveria ser proibido. Segundo uma pesquisa realizada pela More in Common Brasil em parceria com o Ipsos-Ipec, 68% dos entrevistados defendem a restrição por entenderem que a exposição às apostas prejudica torcedores e famílias.

Por outro lado, 19% acreditam que os patrocínios devem continuar permitidos devido à contribuição financeira das empresas de apostas aos clubes. O levantamento foi realizado com 2.000 pessoas durante a Copa do Mundo de 2026 para avaliar a percepção dos brasileiros sobre os efeitos das apostas esportivas online no futebol.

Atualmente, 14 dos 20 clubes do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) têm uma casa de apostas como seu patrocinador principal. Os dois principais campeonatos de futebol masculino do país, o Brasileirão e a Copa do Brasil, são patrocinados pela Betano.

Os resultados indicam que a rejeição às apostas não se limita à discussão sobre a legalização da atividade. A presença das marcas no ambiente esportivo e a possível influência do setor sobre a integridade das competições também geram preocupação entre os entrevistados.

Maioria associa apostas ao risco de manipulação

Dados da pesquisa sobre apostas, feita por More in Common Brasil e Ipsos-Ipec.
Crédito: More in Common Brasil/Ipsos-Ipec

De acordo com a pesquisa, 72% dos brasileiros acreditam que as apostas esportivas aumentam o risco de manipulação de resultados no futebol. Desse total, 58% avaliam que o risco aumenta “muito”, enquanto 14% consideram que as apostas ampliam “um pouco” essa possibilidade.

Paralelamente, a FIFA anunciou nesta semana que a Copa do Mundo foi concluída sem alertas de apostas suspeitas. Em contrapartida, o Brasil registrou dois alertas no segundo trimestre de 2026, segundo relatório da International Betting Integrity Association (IBIA).

Para Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common Brasil, a preocupação com os efeitos do setor atravessa diferentes segmentos da população.

“A oposição às bets, às apostas esportivas online, une o Brasil. Sucessivas pesquisas vêm mostrando que a maior parte dos brasileiros se preocupa com a maneira como o vício e o endividamento decorrente das apostas esportivas prejudicam as famílias”, afirmou Ortellado.

Homens e pessoas com renda familiar superior a cinco salários mínimos demonstraram maior propensão a considerar que as apostas elevam o risco de manipulação. Entre os eleitores que declararam voto em Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, também foi identificada uma tendência maior de rejeição aos patrocínios e de preocupação com a integridade das partidas.

O levantamento aponta, no entanto, que as diferenças demográficas foram pequenas. Pessoas brancas e negras apresentaram níveis semelhantes de desconfiança sobre uma possível manipulação de resultados. A rejeição aos patrocínios também apareceu em proporções próximas entre evangélicos e pessoas sem religião ou que seguem outras crenças não cristãs.

Já os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstraram preocupação ligeiramente menor do que a dos apoiadores de Bolsonaro e de outros candidatos.

Segundo Ortellado, essa diferença pode estar relacionada à composição demográfica do eleitorado do presidente. Ainda assim, os dados mostram que a percepção negativa sobre a presença das casas de apostas no futebol está disseminada entre diferentes grupos sociais, econômicos e políticos.


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