Nesta quarta-feira, 30, a Justiça do Distrito Federal rejeitou o pedido de familiares do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, para que fosse decretado sigilo nas investigações que apuram suspeitas de manipulação de apostas esportivas.
Bruno Henrique está sendo investigado por supostamente favorecer apostadores ao receber um cartão amarelo em uma partida contra o Santos, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2023.
Além de negar o sigilo, o juiz Fernando Brandini Barbagallo autorizou a Polícia Federal a compartilhar com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) as provas já reunidas. Com isso, o órgão esportivo poderá abrir um novo inquérito disciplinar contra o atleta.
Em outra decisão, Barbagallo também manteve o aval para que as provas sejam enviadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, em andamento no Senado. O próprio Bruno Henrique havia pedido que essa autorização fosse revista, mas teve o pedido negado.
O magistrado ainda determinou que a Blaze, uma das casas de apostas citadas na investigação, forneça informações relativas a quatro dos indiciados pela Polícia Federal. A plataforma, que aparece em conversas extraídas de celulares apreendidos, ainda não havia repassado os dados solicitados pelos investigadores.
Em nota enviada ao portal ge, a Blaze declarou que está colaborando integralmente com as autoridades e que já forneceu os dados cadastrais que a legislação brasileira permite compartilhar sem ordem judicial. A empresa reiterou seu compromisso com a legalidade e com a integridade esportiva, e afirmou estar à disposição para fornecer informações adicionais sempre que houver decisão judicial.
Apesar do indiciamento, Bruno Henrique continua integrado ao elenco rubro-negro e nega qualquer envolvimento em manipulação de resultados ou favorecimento a apostadores.
Investigação Bruno Henrique
O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu neste domingo, 27, mensagens exclusivas da investigação que apura o suposto envolvimento de Bruno Henrique, atacante do Flamengo, em manipulação de resultados.
Segundo a reportagem, cerca de dois meses antes da partida entre Flamengo e Santos, o irmão do jogador, Wander Nunes Pinto Júnior, perguntou se Bruno Henrique estava pendurado com dois cartões amarelos e pediu para ser avisado quando levasse o terceiro. A resposta do jogador foi direta: “Contra o Santos”. O irmão agradeceu, afirmando que guardaria o dinheiro do investimento.
Três dias antes do jogo, em 29 de outubro, Bruno Henrique retomou o assunto com Wander Júnior, perguntando se ele se lembrava da conversa. Diante da aparente confusão do irmão, o atacante ligou para ele. A Polícia Federal acredita que a ligação pode ter sido sobre a possibilidade de forçar o cartão amarelo, segundo o G1.
As mensagens obtidas pelo Fantástico também revelam que Wander Júnior enfrentava dificuldades para apostar após ter sido bloqueado por uma operadora, cujo nome não foi divulgado. Em conversa com a mãe, ele trocou informações pessoais de terceiros, como CPFs, e-mails e datas de nascimento. A mãe chegou a sugerir a criação de uma nova conta, e Wander Júnior encaminhou boletos de casas de apostas solicitando o pagamento.












