Renan Santos promete proibir apostas online se for eleito presidente

Um celular exibindo apostas esportivas na tela gerado por IA
Crédito: Shutterstock

Renan Santos, pré-candidato à Presidência da República pelo Missão e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), afirmou que pretende proibir apostas de quota fixa no Brasil caso seja eleito nas eleições de outubro de 2026. Segundo a VEJA Negócios, a declaração foi feita após o político compartilhar a mensagem de um seguidor que relatou problemas associados à atividade.

O posicionamento ocorre em meio à corrida eleitoral, na qual Santos aparece entre os nomes testados nas pesquisas de intenção de voto. Segundo levantamento feito pelo Datafolha, divulgado em julho, ele registrou 3% das intenções de voto no primeiro turno. O cenário é liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 40%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 32%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4% e Romeu Zema (Novo), com 3%.

Santos também está à frente de outros pré-candidatos no levantamento, como Augusto Cury (Avante), com 2%, e Samara Martins (UP) e Cabo Daciolo (Mobiliza), ambos com 1%. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 22 e 24 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Impacto nas apostas

Ao comentar o relato publicado por um seguidor, Santos declarou que iria “proibir as bets”. A proposta representa mudança em relação ao modelo atualmente adotado pelo Governo Federal, que regulamentou o mercado de apostas online em 2025 e estabeleceu regras para operadores autorizados, publicidade e proteção dos apostadores.

Chama a atenção que Santos defenda a proibição total das apostas, apesar de se descrever como um político liberal.

A declaração também ocorre em um momento de maior pressão regulatória sobre o setor, especialmente sobre a publicidade. Em julho, novas regras federais para anúncios de apostas passaram a exigir mensagens de advertência nas campanhas e estabeleceram restrições adicionais às estratégias de marketing. 

Renan Santos (Missão). Crédito: MBL.

No âmbito municipal, cidades como Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Aracaju (SE) também adotaram ou discutem medidas para restringir a divulgação de apostas, ampliando o debate sobre a presença das marcas do setor em espaços públicos e na comunicação local.

Uma eventual proibição das apostas online, no entanto, exigiria mudanças no marco legal do setor. A atividade foi regulamentada pela Lei nº 14.790/2023, e a decisão de extinguir o mercado regulado dependeria de alterações legislativas.

A proposta teria efeitos sobre toda a cadeia econômica formada após a regulamentação, incluindo operadores, fornecedores de tecnologia, meios de pagamento, publicidade, mídia e patrocínios esportivos.

O tema também avançou no debate político por meio de outras iniciativas. Em abril, o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, protocolou o PL nº 1.808/2026, que propõe proibir a atividade no país e prevê sanções para empresas que continuarem a operar.

O posicionamento de Santos deve ampliar ainda mais a presença das apostas no debate eleitoral de 2026. Para o mercado regulado, uma eventual mudança de governo e de política pública poderá ter impacto direto sobre as regras de operação e sobre a continuidade do atual modelo de apostas no país.

Embora Santos, Lula e outros políticos mencionem apostas como uma maneira de divulgar sua posição e até de tentar angariar votos, uma pesquisa recente do Ipsos-Ipec e da More in Common Brasil identificou que o tema não deve exercer influência direta sobre o voto da maioria dos brasileiros.


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