O Ministério da Fazenda alterou a legenda de uma publicação no Instagram após receber comentários negativos de diversos usuários. A postagem, que alerta sobre os riscos das apostas e reforça o objetivo da Plataforma Centralizada de Autoexclusão do governo, também incentivava o jogo responsável durante a Copa do Mundo 2026.
Nos comentários da publicação, a advogada Juliana Prates, que frequentemente se posiciona contra as apostas, afirmou que a postagem deveria ser deletada. Ela também marcou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na rede social, junto a deputados e à Frente da Saúde Mental, questionando se o posicionamento do governo será a favor ou contra as apostas online.

Outros usuários também destacaram que a publicação deveria apenas alertar os brasileiros para não apostarem e que não há responsabilidade nos jogos de azar.
Na legenda, o Ministério havia reforçado a prática responsável: “Vamos vestir a camisa da responsabilidade nessa Copa! Confiança não se aposta! Jogue com responsabilidade!”. Os comentários contra a atividade fizeram o governo alterar a legenda para: “Vamos vestir a camisa da responsabilidade nessa Copa! Confiança não se aposta!”.
No LinkedIn, no entanto, a legenda original foi mantida na publicação.

Especialistas elogiam medidas contra apostas ilegais
Diferentemente da maioria dos comentários da publicação, especialistas da indústria parabenizaram os recentes posicionamentos do governo em relação ao setor.
Na última semana, o governo anunciou medidas para combater a atuação de operadores clandestinos no Brasil por meio da Portaria MF nº 1.766/2026 e do Decreto nº 13.033/2026. Amilton Noble, CEO da Hebara, elogiou a equipe da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) após a publicação das novas regras, afirmando que “estamos no caminho certo em separar o legal do ilegal”.
Noble também é conselheiro estratégico independente da Associação Brasileira de Conformidade, Boas Práticas, Ética e Transparência em apostas (ABC-BET) e Advisory Partner da Betshield Responsible Gaming e possui mais de 30 anos de experiência na indústria de jogos, apostas e loterias.
Em outra postagem, na qual o presidente Lula informou sobre o bloqueio de empresas não licenciadas, Noble destacou: “Finalmente o governo entendeu o que deve ser feito em relação às apostas”.
O executivo parabenizou a ação e afirmou que, com a medida, o mercado regulado é fortalecido.
Eduardo Monte, CEO da Flutter Brazil, também comentou as novas diretrizes estabelecidas pelo governo: “É uma medida necessária, que ataca diretamente a evasão cambial e a lavagem de dinheiro no setor de apostas. Para quem opera na legalidade, essa movimentação traz um elemento indispensável: a previsibilidade”.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) apoiaram as novas regras.
Opinião do SBC Notícias Brasil
É visível a distinção de posicionamentos sobre as apostas entre profissionais do setor e a população brasileira. A preocupação, no entanto, recai sobre a mudança de comportamento do governo diante da pressão popular.
Até que ponto, de fato, o governo é contra as apostas e se preocupa com os jogadores?
O jogo existia antes da regulamentação e seguirá presente na sociedade, ainda que o mercado se torne totalmente ilegal e que o governo deixe de fiscalizar as operações locais. O importante agora não é atacar o setor, mas sim saber orientar os jogadores a apostar com segurança e responsabilidade.
Proibir não irá resolver todos os problemas associados à indústria, como a ludopatia e o endividamento, embora dados mostrem que as apostas têm impacto pouco significativo no orçamento das famílias brasileiras.
Os riscos de não informar sobre o mercado ilegal e de não incentivar a prática saudável se tornam muito maiores quando comparados à promoção do jogo responsável. Cada brasileiro tem o direito de decidir se quer apostar ou não, mas nem todo cidadão conhece e entende como a indústria funciona — e o perigo está exatamente aqui. Essas pessoas se tornam mais vulneráveis, uma vez que não sabem diferenciar as empresas legais daquelas que operam sem qualquer fiscalização.
O mercado regulado possui monitoramento e regras claras e preza pela saúde de todos os jogadores, além de contribuir com a sociedade como um todo, enquanto as operações clandestinas visam ao lucro, sem qualquer cuidado com quem está apostando, que fica exposto a publicidades muitas vezes enganosas. As empresas não licenciadas também podem estar associadas a facções criminosas e a fraudes de modo geral.
O posicionamento do governo em relação à promoção do jogo responsável é válido e importante para toda a indústria. Os jogadores precisam saber a quem recorrer em situações delicadas e ter a certeza de que estão apostando em sites legítimos. A remoção da frase “Jogue com responsabilidade” das publicações apenas mascara uma atitude que deveria ser cultivada por todos — que é a preocupação com o próximo. O jogo existe, e é preciso jogar com responsabilidade.
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