A vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Michelle Ramalho, defendeu o setor regulado de apostas durante sua participação em um painel sobre apostas online do 14º Fórum de Lisboa nesta terça-feira, 2 de junho.
“Muitos ignorantes falam que as bets [regulamentadas] têm que acabar, mas as bets são tão vítimas quanto as federações”, afirmou a executiva da CBF, conforme noticiou o portal Poder360.
“Não se pode mais falar hoje em futebol sem bets. Temos que desmistificar esse rótulo que muitos falam como se as bets fossem as autoras das manipulações de resultados. […] Qual é a bet que vai querer que aquele jogo seja manipulado?”
Para Ramalho, as plataformas de apostas reguladas são vítimas deste rótulo. A vice-presidente da CBF também aproveitou para elogiar os trabalhos feitos por Betano e Superbet, que também participavam do painel.
“É muito importante tipificar as casas de apostas que não estão legalizadas. Não temos uma lei severa para isso. E não é justo com quem está legalizado, fazendo tudo certinho, concorrer com as casas ilegais. O Congresso precisa abrir os olhos para isso”, disse a executiva da CBF.

No fim de maio, um projeto de lei que propõe intensificar o combate ao mercado ilegal de apostas avançou na Câmara dos Deputados. O governo federal já bloqueou mais de 50 mil sites clandestinos e está em vias de deflagrar operações contra o mercado ilegal, para atingir o crime organizado.
Adicionalmente, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) monte uma estrutura permanente, com a ajuda de outros órgãos, para combater o mercado ilegal.
Executivos da Betano e Superbet concordaram com vice-presidente da CBF
O Poder360 também noticiou que Alexandre Fonseca, CEO da Superbet, e Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Públicas da Betano no Brasil, defenderam a regulamentação de apostas e também negaram que o setor de apostas tenha conexão com o endividamento da população brasileira.
“O público feminino e de baixa renda está entre os mais endividados. Já o nosso cliente é majoritariamente masculino e de renda maior. O principal núcleo de endividamento está no cartão de crédito e nós não aceitamos. O mercado ilegal aceita, mas o regulamentado só aceita Pix”, disse Fonseca.
“Todo problema na sociedade brasileira atribui-se a bets. Mas as bets não são um fenômeno novo, foi apenas regulamentado. E a regulamentação no Brasil funciona”, acrescentou.
Já Figueiredo comentou que a portaria de jogo responsável é um exemplo “para toda a América Latina” e cobrou que políticos defendam o setor regulamentado.
“Nós estamos sofrendo um ataque de vários setores por estarmos todos no mesmo balaio. Mas ou você defende o jogo legalizado ou você estará defendendo o jogo ilegal”, afirmou Figueiredo.
O 14º Fórum de Lisboa teve início na segunda-feira, 1º de junho, e ocorre até amanhã, 3 de junho, na Universidade de Lisboa.
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