Projeto de lei que fortalece a repressão a operadores de apostas ilegais avança na Câmara dos Deputados

Foto tirada do plenário da Câmara dos Deputados em Brasília.
Crédito: Shutterstock

A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira, 28, o projeto de lei nº 4.044/2025. Esta proposta prevê a criação do Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas e a alteração da Lei nº 14.790/2023, que regulamenta o setor de apostas no Brasil, para fortalecer a repressão financeira a operadores de apostas ilegais.

O PL nº 4.044/2025 foi protocolado pelos deputados federais Paulo Litro (PSD-PR), Raimundo Santos (PSD-PA) e Merlong Solano (PT-PI) em agosto de 2025. A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) ficou responsável pela relatoria na CFT.

Quais os principais pontos do projeto de lei nº 4.044/2025

Embora o Brasil já tenha feito esforços este ano para ampliar o combate ao mercado ilegal de apostas, seja através da Lei nº 15.358/2026, também conhecida como Lei Raul Jungmann, ou da resolução nº 569/2026 do Banco Central do Brasil (BCB), o PL nº 4.044/2025 propõe um enfrentamento mais amplo pelas instituições brasileiras

Deputada federal Laura Carneiro.
Laura Carneiro votou a favor do PL nº 4.044/2025 na CFT. Crédito: Câmara dos Deputados

Veja abaixo quais são as principais iniciativas contidas no texto do PL nº 4.044/2025:

  1. Criar um marco legal específico contra o mercado ilegal de jogos e apostas, com instrumentos financeiros, administrativos, tecnológicos e penais para coibir operadores não autorizados.
  2. Definir “operador de aposta não autorizado” como pessoa física ou jurídica que explore, direta ou indiretamente, jogos ou apostas sem autorização da autoridade competente.
  3. Obrigar instituições financeiras e de pagamento autorizadas pelo Banco Central a adotar procedimentos reforçados de diligência para impedir operações com operadores ilegais.
  4. Exigir relatórios mensais de conformidade das instituições financeiras e de pagamento, com informações agregadas sobre contas ligadas a apostas, volume de transações, controles internos e bloqueios ou recusas por irregularidades.
  5. Integrar bancos e instituições de pagamento a sistemas de compartilhamento de indícios de fraudes eletrônicas, permitindo comunicação e consulta de dados sobre possíveis operadores não autorizados.
  6. Determinar que o Ministério da Fazenda mantenha uma base pública e atualizada de operadores de apostas não autorizados, para cruzamento com sistemas antifraude.
  7. Criar mecanismos específicos no Pix para prevenir o uso da infraestrutura por operadores ilegais, incluindo:
    • modalidade de transação exclusiva para apostas vinculada a operadores autorizados;
    • filtros automatizados por CNAE e chaves Pix;
    • integração com diretórios de risco e autoexclusão;
    • marcações visuais em extratos de transações com operadoras.
  8. Proibir parcerias operacionais, tecnológicas ou comerciais entre instituições financeiras/de pagamento e operadores não autorizados, incluindo modelos de BaaS, subadquirência, gateways e infraestrutura tecnológica para pagamentos ligados a apostas.
  9. Criar o Índice de Conformidade Regulatória em Apostas (ICRA), para avaliar o grau de aderência de instituições financeiras e de pagamento às normas de prevenção contra transações com operadores ilegais.
  10. Prever sanções administrativas para instituições financeiras e de pagamento que descumprirem as regras, incluindo multa de até R$ 20 milhões, suspensão temporária da oferta de contas ou instrumentos financeiros a operadores de apostas e vedação ao uso de meios como Pix e TED em casos graves ou de reincidência.
  11. Dar à Anatel papel central no bloqueio de sites ilegais, em articulação com o Ministério da Fazenda, incluindo coordenação com prestadoras de internet e provedores de infraestrutura digital.
  12. Prever medidas técnicas de bloqueio, como bloqueio por DNS, IP, SNI e detecção de sites espelhos.
  13. Criar protocolo integrado de compartilhamento de informações entre Ministério da Fazenda, Banco Central e Anatel, com possibilidade de cooperação com o Coaf para reforçar ações de PLD/FTP.
  14. Instituir relatórios trimestrais consolidados sobre resultados, métricas de canalização do mercado legal e recomendações de aperfeiçoamento normativo.
  15. Criar canal público oficial de denúncias sobre exploração ilegal de jogos, apostas ou serviços lotéricos, inclusive com possibilidade de denúncia anônima.
  16. Alterar a Lei nº 14.790/2023 para permitir que o Ministério da Fazenda exija sistemas de geolocalização capazes de impedir acesso por usuários fora do território nacional ou oriundos de VPNs.
  17. Obrigar provedores de conexão e aplicações de internet a manter canal exclusivo e permanente de comunicação com o regulador para receber e tramitar determinações relacionadas ao bloqueio de sites e aplicações.
  18. Ampliar o rol de infrações administrativas na Lei nº 14.790/2023, incluindo publicidade de operadores não autorizados e fornecimento de jogos, aplicações, produtos, infraestrutura tecnológica, meios de pagamento ou serviços que facilitem a exploração ilegal.
  19. Criar crimes específicos na Lei nº 14.790/2023, com penas de reclusão e multa para:
    • operar ou facilitar apostas de quota fixa sem autorização;
    • financiar, divulgar ou estruturar operação ilegal;
    • viabilizar transferência de valores entre apostadores e operador não autorizado;
    • divulgar propaganda de apostas em desacordo com as regras legais;
    • obstruir ou dificultar ações de bloqueio de recursos, domínios, aplicações ou plataformas.
  20. Prever agravantes penais para casos de atuação reiterada, estrutura empresarial, uso de tecnologias de anonimato, operadores sediados no exterior, publicidade voltada a crianças e adolescentes e atuação de influenciadores digitais.
  21. Alterar a Lei nº 13.506/2017 para incluir como infração permitir ou dar curso a transações destinadas a apostas de quota fixa com pessoas jurídicas sem autorização.

Com a aprovação na CFT, o PL nº 4.044/2025 deve seguir para análise e votação da Comissão de Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.


Leia também nossa matéria sobre o projeto de lei “Brasil contra as bets”, que foi apresentado formalmente em 26 de maio e uniu parlamentares de esquerda e de direita.


Quer ouvir mais histórias como esta? Confira o novo canal da SBC Media no YouTube, o novo espaço dedicado a tudo relacionado à multimídia na SBC, onde nossa equipe explora em detalhes as principais notícias dos setores de apostas esportivas, iGaming, afiliados e pagamentos. 


Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.