O governo federal está na fase final de preparação de novas operações contra a atuação do crime organizado nos setores de apostas ilegais e tabaco, segundo reportagem da Reuters publicada em 1º de junho.
De acordo com a Reuters, a informação foi confirmada por uma autoridade do alto escalão do governo, com conhecimento direto das discussões, que falou com a agência sob condição de anonimato.
Operações contra apostas ilegais podem acontecer a qualquer momento, segundo Reuters
A iniciativa faz parte de uma estratégia para sufocar as fontes de renda de organizações criminosas. Segundo a Reuters, o plano seguirá adiante mesmo após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do Brasil, como organizações terroristas em 28 de maio.
No setor de tabaco, grupos criminosos são associados ao contrabando de cigarros paraguaios e à subsequente venda ilegal destes produtos. Já em relação às apostas, suspeita-se que o crime organizado opere plataformas de apostas ilegais. Para atuar no mercado de apostas, em conformidade com a regulação brasileira, é preciso pagar uma licença de R$ 30 milhões à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) e seguir as diretrizes impostas pela Lei nº 14.790/2023

A fonte ouvida pela Reuters afirmou que, nos dois casos, pequenas instituições financeiras, incluindo fintechs, estariam sendo usadas por criminosos para lavagem de dinheiro.
“As operações podem acontecer a qualquer momento”, disse a autoridade à Reuters. Ainda segundo a fonte, não é possível definir uma data exata para o início das ações, já que a execução depende de articulação com autoridades policiais, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Desde 2025, o Brasil tem se esforçado para deflagrar operações que ataquem o braço financeiro de organizações criminosas. A Operação Carbono Oculto, por exemplo, revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro através de postos de gasolina e fintechs.
Movimentos recentes para combater apostas ilegais
O avanço desta agenda ocorre em meio ao esforço do governo para consolidar o mercado regulado de apostas no Brasil e combater a atuação de operadores clandestinos. O setor regulado estima que o mercado ilegal concentra cerca de 50% do volume total de apostas.
Neste ano, o governo federal promulgou a Lei Raul Jungmann, que determina que instituições financeiras bloqueiem contas ligadas ao mercado ilegal, e também classificou mais de 20 plataformas de mercado de previsões como plataformas ilegais de apostas.
Adicionalmente, no fim de maio, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que a SPA crie uma estrutura permanente para combater as apostas ilegais, e um projeto de lei que fortalece o enfrentamento ao mercado ilegal avançou na Câmara dos Deputados.
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